Por que líderes experientes tomam decisões ruins?

Por Victoria Rodrigues 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que líderes experientes tomam decisões ruins?

Por que líderes experientes, com acesso aos melhores dados do mercado, ainda tomam decisões que levam a prejuízos? A resposta não está na falta de planilhas, mas na forma como o cérebro processa a realidade.

É isso o que afirma o vencedor do Nobel, Daniel Kahneman,  em seu livro Rápido e devagar: duas formas de pensar. De acordo com ele, a mente é operada por dois agentes distintos: o Sistema 1 (rápido e intuitivo) e o Sistema 2 (lento e analítico).

Rápido ou devagar? A dinâmica entre os Sistemas 1 e 2

O Sistema 1(rápido) descrito pelo autor, funciona de forma automática. Ele é responsável por detectar intenções, como por exemplo, perceber o “clima” do ambiente e responder a essa sensação com um gatilho defensivo. Ele é emocional, associativo e rápido.

Já o Sistema 2 (analítico) é mais consciente. Geralmente é acionado quando é necessário tomar decisões calculadas, como por exemplo, analisar o retorno de um investimento.

No entanto, o sistema analítico consome muita energia e por isso acaba sendo mais “preguiçoso” em relação ao primeiro. Sendo assim, ele aceita as conclusões apressadas tomadas pelo Sistema 1.

Três armadilhas do Sistema 1

A eficiência do sistema rápido em oferecer respostas rápidas e automáticas, em ambiente de alta gestão, pode se transformar em armadilhas:

Quando enfrentamos uma pergunta difícil, nosso Sistema 1 a substitui por uma mais fácil. Por exemplo:

Se não houver uma análise consciente, o líder aprova o investimento baseado em simpatia, acreditando que usou critérios técnicos.

2. O efeito Halo

O efeito Halo é a confirmação de valor por características. Ou seja, se um novo funcionário é extremamente carismático e confiante, logo o cérebro associa que ele também é organizado e tecnicamente impecável. É assim que surgem promoções baseadas em impressões superficiais, ignorando a falta de competências reais para o cargo.

3. O perigo do WYSIATI

Em seu livro Daniel Kahneman utiliza a frase "O que você vê é tudo o que há" para explicar por que líderes costumam ter excesso de confiança em previsões. O cérebro constrói a uma narrativa otimista baseada nas informações disponíveis, ignorando o que ele não sabe. Isso gera planos de negócios baseados em cenários incompletos, que parecem lógicos.

O antídoto: Sistema 2

Para evitar que o Sistema 1 dite o curso da ação sozinho, a organização precisa criar mecanismos que forcem o Sistema 2 a trabalhar.

Como decidir com clareza sob pressão

Se até líderes experientes caem nas armadilhas invisíveis da própria mente, a pergunta que fica é: o que separa decisões medianas de escolhas verdadeiramente estratégicas? A resposta não está apenas em mais dados, mas em aprender a pensar melhor sob pressão, reconhecer vieses e estruturar decisões com clareza

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