Por que Milei mudou as regras de mineração em geleiras na Argentina

Por Da redação, com agências 10 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que Milei mudou as regras de mineração em geleiras na Argentina

Nessa quinta, 9, a Câmara dos Deputados da Argentina deu a aprovação final à reforma da Lei das Geleiras com 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções, após quase 12 horas de debate.

A reforma já havia sido aprovada pelo Senado em fevereiro, apesar da resistência de ativistas ambientais, e delega autoridade e responsabilidade pela proteção de geleiras do Instituto Argentino de Pesquisas de Neve e Gelo (IANIGLA) para os governos provinciais, a fim de incentivar a mineração.

"A partir de agora, nosso país volta a ter um verdadeiro federalismo ambiental e uma política inteligente e soberana para a exploração de seus recursos", disse o presidente, Javier Milei, em um comunicado após a votação.

Milei afirmou que a modificação da lei, em vigor desde 2010, era um passo necessário para atrair investimentos da mineração: "Os ambientalistas determinados a impedir o progresso da República Argentina perderam novamente", comemorou.

O bloco governante contava com o apoio de aliados de direita e parlamentares de províncias andinas como Mendoza, San Juan, Catamarca e Salta, que concentram a maior parte dos projetos de mineração e onde se localiza grande parte das geleiras do país.

“Água vale mais do que ouro”

Enquanto o debate ocorria, milhares de pessoas foram às ruas e participaram de protestos contra a reforma, entoando slogans como "Água vale mais que ouro" e "Tirem as mãos das geleiras". Essas massas de gelo são importantes fontes de água doce para o mundo, pois alimentam rios e reservatórios.

Organizações ambientalistas alertaram que a medida agravará a crise climática e anunciaram que a contestarão judicialmente. "Sem água, não podemos nem pensar em um projeto de crescimento e desenvolvimento", disse a congressista Natalia de la Sota.

Segundo um levantamento nacional de 2018, a Argentina possui aproximadamente 17.000 massas de gelo com mais de um hectare, incluindo geleiras e geleiras de detritos — ou seja, massas de gelo cobertas por rochas. No noroeste da Argentina, onde se concentram os projetos de mineração, essas massas de gelo encolheram 17% na última década, principalmente devido às mudanças climáticas, segundo o IANIGLA.

Os defensores da reforma argumentam que ela esclarecerá os critérios atualmente "imprecisos" relativos às áreas protegidas e devolverá às províncias o poder de decidir sobre seus recursos. Enquanto isso, parlamentares da oposição argumentaram que a reforma é inconstitucional por contradizer tratados internacionais e afirmaram que coloca em risco as reservas hídricas.

A aprovação da reforma representa mais uma vitória parlamentar para Milei, que impôs a desregulamentação trabalhista em fevereiro, apesar dos protestos repetidos nas ruas.

O presidente busca impulsionar a capacidade da Argentina de extrair cobre, lítio, ouro e prata e frequentemente cita o Chile, país vizinho e maior produtor mundial de cobre, localizado na mesma Cordilheira dos Andes, como exemplo. Segundo uma projeção do Banco Central, a Argentina poderá triplicar suas exportações de mineração até 2030.

Enrique Viale, presidente da Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, disse à agência de notícias AFP que a reforma é "feita sob medida para grandes empresas transnacionais de mineração" e que "coloca em risco o abastecimento de água para 70% dos argentinos".

"A crise climática global é uma realidade que todos os seres humanos que vivem neste planeta estão vivenciando. Atacar as geleiras só agrava a situação", disse Diego Salas, diretor de comunicação do Greenpeace Argentina.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: