Por que o lucro da Usiminas cresceu 596% mesmo com queda nas vendas?

Por Mitchel Diniz 24 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que o lucro da Usiminas cresceu 596% mesmo com queda nas vendas?

A Usiminas deu início à temporada de balanços no Brasil e apresentou resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 bem melhor que o do ano anterior. O lucro líquido saltou de R$ 129 milhões para R$ 896 milhões.  alta de 596%. O número, porém, foi impulsionado por fatores fora da operação.

O real se valorizou cerca de 5% frente ao dólar no trimestre, gerando ganhos cambiais de R$ 101 milhões. Houve ainda um crédito tributário de R$ 412 milhões relacionado a impostos diferidos.

Ebitda caiu 11%

A empresa gerou R$ 653 milhões de Ebitda, indicador mais fidedigno de operação da empresa. O número registrou uma alta de 56% na comparação com o trimestre anterior. Mas em relação ao mesmo período do ano passado, o resultado recuou 11%.

A receita caiu 14%, no mesmo intervalo de tempo, para R$ 5,87 bilhões. A empresa faturou menos e também vendeu menos volume.

Na siderurgia, foram 1,007 milhão de toneladas de aço vendidas, 8% abaixo do primeiro trimestre. Na mineração, a queda foi maior: 1,95 milhão de toneladas, recuo de 12% no mesmo período.

Dois fatores pesaram. No minério, as chuvas atrapalharam a produção. No aço, o mercado brasileiro foi inundado por um volume atipicamente alto de importados. resultado da corrida dos importadores para estocar produto antes da entrada em vigor das tarifas antidumping aplicadas pelo governo em fevereiro. Esse excesso de estoque de material estrangeiro comprimiu a demanda pelo aço nacional no trimestre.

O ponto positivo na comparação anual fica por conta da margem EBITDA ajustada, que avançou de 10,7% para 11,1%, leve melhora de 0,4 ponto percentual. É um sinal de que a empresa está operando com mais eficiência do que há um ano, mesmo vendendo menos volume e faturando menos receita.

Na siderurgia, a receita líquida por tonelada no mercado interno foi de R$ 5.206 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, contra R$ 5.570 por tonelada de um ano antes — queda de 6%.

Um ponto que sustentou a margem foi o mix de vendas ligeiramente melhor: a fatia do setor automotivo, que compra aço de maior valor agregado, cresceu de 31,9% para 33% do volume total vendido no mercado interno.

Na mineração, o preço médio de exportação do minério subiu 12% na comparação anual, de US$ 78 por tonelada para US$ 87. O problema da divisão foi volume, já que as chuvas derrubaram a produção e as vendas, impedindo que a alta de preços se traduzisse em resultado melhor.

O custo dos produtos vendidos caiu 15% na comparação anual, de R$ 6,08 bilhões para R$ 5,16 bilhões. A queda, portanto, foi maior que a das receitas e foi essa diferença, ainda que pequena, que permitiu à Usiminas entregar uma melhora de margem Ebitda.

A Usiminas terminou o trimestre com R$ 6,69 bilhões em caixa e aplicações e dívida bruta  de R$ 6,30 bilhões, o que deixou a alavancagem negativa.

O que vem pela frente

A empresa espera recuperar volume em mineração após o impacto das chuvas no primeiro trimestre, mas com custos de frete marítimo mais elevados, o que deve limitar a melhora no resultado da divisão.

"O cenário econômico dos próximos trimestres se mostra desafiador, marcado por desafios consideráveis, impulsionados, em grande medida, pelos desdobramentos da Guerra do Irã e seus reflexos tanto na economia global quanto na brasileira. A alta nos preços do petróleo e do gás natural, o avanço da inflação e a redução mais lenta das taxas de juros compõem um ambiente de incerteza, agravado ainda pelo risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, principalmente no transporte marítimo de mercadorias", diz o texto da Usiminas que acompanha o balanço.

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