Por que o Rolex de Neymar na Copa dita o novo ritmo da alta relojoaria
O Brasil estreou na Copa do Mundo de 2026 com o placar de 1 a 1 contra o Marrocos no último sábado, 13. Embora Vini Jr. tenha brilhado com o gol do empate, foi Neymar quem roubou a cena, no banco de reservas. Não pela tática ou pelo apoio ao time, mas pelo relógio que levou no pulso.
Afastado do gramado devido a uma lesão, o atacante apareceu na partida com um Rolex Lady-Datejust de 28 milímetros, em ouro amarelo, customizado com diamantes. O valor estimado, segundo especialistas do mercado de revenda especializado, é de 120.000 e 130.000 euros (aproximadamente R$ 750 mil).
Originalmente desenvolvido para o público feminino, o modelo é menor e mais delicado do que os tradicionais relógios feitos para os homens. Equipado com o Calibre 2236 e com reserva de marcha de 55 horas, a customização do jogador inclui 44 diamantes na luneta, 291 no mostrador — com algarismos romanos pretos — e outros 596 na pulseira de modelo President.
O tamanho reduzido da caixa é uma tendência no mercado de relojoaria masculina. Modelos com caixas oversized já andam perdendo espaço para a ascensão definitiva dos mini relógios, para ambos os gêneros.
Fim do oversized?
Depois de mais de uma década de dominância absoluta de caixas grandes de 44 mm no mercado masculino, o ano de 2026 consolidou uma virada estética. Os relógios mais desejados são aqueles que medem abaixo de 30 milímetros de diâmetro — dimensões que, nos anos 2000, seriam automaticamente catalogadas como peças exclusivamente femininas.
A mudança de comportamento ganhou tração nos últimos anos por meio de lançamentos de marcas tradicionais da Suíça e da França. A Cartier, líder na tendência, fez sucesso com o Tank Louis Mini (24 mm x 16,5 mm) e com o Mini Baignoire, que traz uma caixa minúscula de apenas 15 mm de largura. A Audemars Piguet encolheu o icônico modelo esportivo de luxo para criar o Royal Oak Mini Frosted Gold, com apenas 23 mm de diâmetro.
Longines e Chopard seguiram a tendência: lançaram linhas como o Mini DolceVita (21,5 mm) e o Happy Sport (25 mm), respectivamente, todas com caixas menores do que os 30 mm.
A migração para os tamanhos reduzidos atende, sobretudo, a três fatores comerciais. O primeiro é a consolidação do movimento quiet luxury, que substituiu a ostentação por um design mais limpo, confortável e sutil. O segundo é a redefinição do relógio como uma joia de uso diário, em que a engenharia mecânica do movimento divide o protagonismo com o valor estético do bracelete.
O terceiro (e mais importante) é que as caixas mini oferecem um preço de entrada ligeiramente mais competitivo — e atraem um público novo e mais jovem.
Efeito tapete vermelho e Geração Z
O empurrão final para que homens e mulheres passassem a disputar as versões em miniatura nas joalherias veio do endosso de celebridades de peso. Antes de Neymar, o ator e embaixador da Cartier Timothée Chalamet já havia quebrado protocolos ao cruzar o tapete vermelho usando dois relógios mini empilhados no mesmo pulso.
Fenômenos semelhantes foram vistos recentemente com estrelas como Taylor Swift, Simone Biles e Elle Fanning.
Para a indústria relojoeira suíça, que enfrentou um período de desaceleração pós-pandemia e o estouro da bolha especulativa de revendas, a febre dos relógios em miniatura abriu um novo e lucrativo fluxo de receitas. Dados de mercado mostram que a participação de marcas focadas em designs clássicos e compactos, como a própria Cartier, cresceu mais de quatro vezes no portfólio de compras da Geração Z nos últimos sete anos.
Ao surgir na Copa do Mundo com uma peça de 28 mm coberta de brilhantes, Neymar apenas confirmou o placar do mercado de luxo atual: os menores relógios tornaram-se os maiores objetos de desejo.
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