Por que Vorcaro foi preso? Entenda as acusações contra dono do Banco Master

Por Estela Marconi 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que Vorcaro foi preso? Entenda as acusações contra dono do Banco Master

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 4, durante nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes.

A prisão foi decretada porque a atuação criminosa do grupo não teria cessado mesmo após medidas anteriores. Para o juiz responsável, havia risco concreto à integridade de autoridades envolvidas na apuração.

A Polícia Federal afirma que o grupo tentava influenciar a opinião pública contra agentes do Estado e que a estrutura de intimidação permanecia ativa.

Segundo a acusação citada no processo, Vorcaro, controlador do Banco Master, lideraria uma estrutura dividida em quatro frentes: financeira, corrupção institucional, ocultação patrimonial e um núcleo voltado à intimidação e interferência em apurações.

A investigação aponta que o Banco Master teria adotado uma estratégia de captação de recursos por meio da emissão de CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado.

O dinheiro captado seria direcionado a operações de alto risco, ativos de baixa liquidez e fundos ligados ao próprio conglomerado.

De acordo com a Polícia Federal, o modelo expunha investidores e poderia configurar gestão fraudulenta e indução ao erro. A apuração também aponta que parte da estrutura financeira teria sido usada para ocultar recursos e viabilizar pagamentos indevidos.

Outros envolvidos na investigação

Além de Vorcaro, a prisão preventiva foi decretada contra:

Também são investigados servidores do Banco Central e pessoas ligadas à formalização de contratos considerados fictícios.

Empresas como VaraJo Consultoria, Moriah Asset, Super Empreendimentos e King Participações teriam sido utilizadas para estruturar pagamentos, contratos simulados e movimentações financeiras.

Núcleo de intimidação e obstrução de Justiça

A decisão que autorizou a prisão destaca um ponto considerado determinante: a existência de um grupo informal conhecido como “A Turma”, responsável por monitorar, intimidar e coletar informações sobre pessoas vistas como ameaça aos interesses do grupo.

Segundo os investigadores, esse núcleo atuava para:

Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram pedidos para “levantar tudo” sobre determinados alvos e sugestões de intimidação. Em conversas analisadas, há menções a agressões físicas contra um jornalista, inclusive com a ideia de simular um assalto.

“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, diz Vorcaro em uma das mensagens, após se incomodar com matérias do jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal 'O Globo'.

“Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Mourão responde estar “em cima de todos os links negativos” e que vão “derrubar todos e vamos soltar positivas”.

Para a Polícia Federal, os diálogos indicam intenção de intimidar a imprensa e até simular um episódio de violência para silenciar as possíveis críticas.

Em nota, o jornal afirmou "repudiar veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país". No comunicado, O Globo disse que os jornalistas não se intimidarão com as ameaças e devem seguir cobrindo o caso.

Em outra situação, Vorcaro reclama sobre uma empregada que estaria o ameaçando. "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda (sic)”. Mourão questiona sobre qual providência tomar e Vorcaro pede que ele "puxe" o endereço da funcionária.

Pagamentos milionários e estrutura paralela

A investigação também aponta que o responsável operacional pelo núcleo de monitoramento recebia cerca de R$ 1 milhão por mês. O valor seria distribuído entre integrantes do grupo.

Transferências bancárias, comprovantes e mensagens detalhando a divisão dos valores constam nos autos. Empresas seriam usadas para dar aparência formal aos pagamentos.

A decisão também cita risco de continuidade das práticas, além de possibilidade de evasão do principal investigado, que teria patrimônio no exterior e acesso a aeronaves privadas.

Suspeita de corrupção no Banco Central

Um dos eixos centrais da investigação envolve a atuação de servidores do Banco Central que, segundo o documento, mantinham interlocução direta e informal com Vorcaro.

As mensagens analisadas indicam que documentos do Banco Master destinados ao próprio órgão regulador eram previamente revisados por servidores responsáveis pela supervisão bancária. Há indícios de que minutas de ofícios e estratégias institucionais eram discutidas antes do envio formal.

A investigação também destaca suspeita de pagamentos indiretos e contratos simulados de consultoria para justificar repasses financeiros a esses servidores.

Por que a prisão foi decretada agora?

A decisão menciona que a atuação do grupo não teria cessado mesmo após medidas anteriores. Para o juiz responsável, havia risco concreto à instrução do processo e à integridade de autoridades envolvidas na apuração.

A Polícia Federal afirma que o grupo tentava influenciar a opinião pública contra agentes do Estado e que a estrutura de intimidação permanecia ativa.

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