Possível criador do Bitcoin diz que risco quântico não se concretizará por pelo menos 20 anos
O cofundador da Blockstream, Adam Back, disse que o risco de quebra da criptografia do Bitcoin por computadores quânticos demorará pelo menos de 20 a 40 anos para se concretizar.
Apontado como o criador do Bitcoin por uma reportagem do New York Times, Back respondeu a um usuário da rede social X (antigo Twitter) que a rede da criptomoeda pode adicionar camadas de segurança com o tempo. Assim, ficaria pronta para a ameaça bem antes de surgirem computadores quânticos relevantes para a criptografia.
Para Back, o caminho para se proteger de hackers armados com tecnologia quântica são atualizações opcionais resistentes a esse tipo de desenvolvimento computacional. O criptógrafo britânico afirmou ainda que os usuários devem ter por volta de uma década para migrar suas chaves a formatos resistentes à ameaça quântica.
Essa declaração veio no contexto da apresentação de uma polêmica proposta de seis desenvolvedores do Bitcoin que prevê congelar carteiras antigas da criptomoeda para defender a blockchain de ataques quânticos.
A controversa BIP-361
Nos primeiros anos do Bitcoin, a chave pública das carteiras ainda aparecia na blockchain. Conquanto isso não seja um problema com a computação tradicional, um computador quântico teria capacidade de usar essa informação para fazer engenharia reversa e encontrar as chaves privadas, comprometendo fundos.
Se a proposta, chamada de BIP-361, passar, seriam congelados os endereços onde se encontram 34% de todos os bitcoins que já foram emitidos. Entre eles, os 1,1 milhão de BTCs na carteira de Satoshi Nakamoto, o criador da criptomoeda.
A oposição de Back à proposta é relevante, pois o programador é um dos maiores especialistas em Bitcoin do mundo. Além disso, ecoa uma reclamação de boa parte da comunidade cripto, para quem a BIP-361 abre um precedente perigoso para a introdução de censura na rede.
Adam Back e Satoshi
Apesar de ter sido apontado como Satoshi Nakamoto pelo NYT, Back nega que seja o criador do Bitcoin. Ele afirma que sua participação na criptomoeda começou em 2011, quando falou do ativo pela primeira vez e, posteriormente, com sua atuação na Blockstream.
A Blockstream é uma empresa que desenvolve infraestrutura tecnológica baseada no Bitcoin. Ela é responsável pelas principais mudanças e evoluções no projeto, como a rede Lightning, que facilita pagamentos com bitcoin, e as atualizações Segwit e Taproot.
Durante a Paris Blockchain Week, o cofundador da Blockstream disse que a migração futura, pós-quântica do Bitcoin poderia ajudar a esclarecer quantas moedas digitais ligadas a Satoshi Nakamoto ainda estão acessíveis. Isso porque o proprietário delas com certeza iria querer protegê-las, movendo para um endereço seguro.
“A preparação é fundamental. Fazer mudanças de forma controlada é muito mais seguro do que reagir em uma crise”, defendeu Back.
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