Premiado em Londres, Jaé pode gerar economia de R$ 150 milhões ao Rio, diz CEO
O cartão Jaé, bilhete de transporte adotado na cidade do Rio de Janeiro em 2025, pode gerar uma economia de R$ 150 milhões por ano, diz Bruno Berezin, CEO da Autopass, empresa que opera o sistema.
Berezin diz que o sistema de ônibus do Rio processa entre 200 e 300 milhões de transações (cobrança de passagens) por ano. Destas, cerca de 30% envolvem alguma gratuidade ou desconto, como os benefícios para idosos e estudantes.
"Dessas 200 a 300 milhões de transações, pelo menos até 10% são transações que não deveriam acontecer", diz Berezin. Ou seja: fraudes.
"O tíquete médio do Rio de Janeiro é de R$ 5. Assim, só neste bloco de gratuidades, a gente evita [perder] entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, que a gente devolve para o município", afirma.
Uma das diferenças do Jaé em relação a modelos anteriores é que ele é um sistema online. Ou seja: os validadores ficam conectados à internet o tempo todo e confirmam as transações com o banco de dados central em tempo real, em um modelo chamado ABT.
Em outros sistemas, como o Bilhete Único de São Paulo, o cartão funciona como um pen drive: os créditos são gravados fisicamente no chip do cartão e apagados a cada passagem no validador, que armazena os dados e, em determinados horários do dia, os envia à central.
O modelo offline foi adotado porque havia dificuldade em manter os validadores conectados à internet enquanto os ônibus estão em movimento. O Bilhete Único paulistano foi lançado em 2004, quando a internet móvel ainda engatinhava no país. Hoje, já há conexões 5G, embora o sinal possa falhar em algumas áreas da cidade.
Para resolver a questão da falta de sinal, a Autopass apostou em uma tecnologia de "redundância tripla". Os validadores possuem conexão com as três operadoras, Vivo, Claro e Tim. Se uma delas cair, a conexão é feita com outra.
"Se a Vivo chegar num indicador [de sinal] que não é saudável, automaticamente o sistema chaveia para Claro. Quando o sistema entende que a Vivo voltou para aquele patamar saudável, o sistema volta para a primeira porta de entrada", explica o CEO.
A conectividade ajuda a combater fraudes. Se um bilhete idoso ou vale-transporte for usado com frequência em pouco tempo, o bloqueio pode ser feito imediatamente. A mesma regra para cartões fraudados, falsificados ou roubados.
Bruno Berezin, CEO da Autopass (Divulgação)
Cartão Top terá a tecnologia
A Autopass também opera o cartão Top, aceito em estações de metrô e trens de São Paulo e em ônibus intermunicipais. Berezin diz que a adoção do sistema ABT nos coletivos paulistas está em negociação com as empresas e o governo.
"A gente vai pegar a tecnologia do Rio de Janeiro, do ABT, e subir ela no sistema da Região Metropolitana de São Paulo. Eu dependo de aprovação e tenho que submetê-la aos clientes. Nós já estamos em conversas avançadas", diz.
Os validadores atuais dos ônibus já estão aptos para receber a tecnologia, e também passarão a receber leitores de QR code, replicando o sistema já usado em estações de trem e metrô. Os QR codes, que funcionam como bilhetes, podem ser comprados via aplicativo ou WhatsApp.
Prêmio em Londres
Em março, o Jaé foi premiado no concurso Transport Ticketing Awards 2026, realizado em março em Londres, pela rapidez na implantação, impacto gerado e tamanho da operação. A vitória foi na categoria de bilhetagem integrada regional.
O sistema substituiu o antigo Bilhete Único carioca e ampliou o controle da Prefeitura do Rio sobre a operação dos ônibus. O Jaé tem 4,5 milhões de usuários cadastrados, 13 mil validadores e 3,1 milhões de viagens diárias. O cartão pode ser usado nos ônibus municipais, BRT, VLT, vans e metrô.
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