PRIO é favorita de analistas para crise no Irã e desbanca Petrobras

Por Mitchel Diniz 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
PRIO é favorita de analistas para crise no Irã e desbanca Petrobras

No primeiro pregão após o bombardeio ao Irã e início dos conflitos no Oriente Médio, as ações das petrolíferas brasileiras subiram, para zero surpresa dos investidores. Mas não foi a Petrobras quem mais se destacou na sessão de ontem. Enquanto os papéis da estatal, uma das empresas de maior peso do Ibovespa, subiram pouco mais de 4%, as ações da PRIO lideraram os ganhos do índice, avançando mais de 5%. A performance coincidiu com a análise duas casas que elegeram a junior oil como a mais favorecida pelo atual contexto geopolítico.

O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) afirma que a escalada no Oriente Médio tem um perfil mais sistêmico do que episódios anteriores, sobretudo pelo risco de disrupção prolongada no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL). Para o banco, o ponto central não é a perda de produção, mas a restrição logística e o prêmio geopolítico embutido no barril do Brent. Com expectativa de que o petróleo seja negociado entre US$ 75 e US$ 80 — podendo superar esse nível caso os conflitos escalem ainda mais — a PRIO surge como a exposição mais direta ao preço da commodity.

O banco destaca que a companhia tem 100% da produção concentrada em petróleo (sem gás natural ou derivados) e é o nome menos hedgeado — ou seja, utiliza menos contratos financeiros para se proteger de uma queda nos preços da commodity. Na prática, a companhia consegue capturar de forma mais integral a alta do petróleo, pois paga menos por essa proteção.

Em um cenário de Brent a US$ 80, o BTG estima que o retorno sobre fluxo de caixa ao acionista (quanto a empresa gera de caixa livre em relação ao seu valor de mercado) pode chegar a 27% para a PRIO em 2026.

O BTG reconhece que a Petrobras também se beneficia de um Brent mais alto, mas destaca que a sensibilidade da estatal ao petróleo é menor do que a da PRIO. Segundo o banco, isso ocorre por três fatores estruturais.

Primeiro, a integração ao refino: cerca de 1,8 milhão de barris por dia da produção da companhia são direcionados às próprias refinarias, o que dilui parte do impacto direto da alta do Brent. Segundo, a provável defasagem no repasse de preços domésticos de combustíveis, já que a empresa tende a evitar ajustes imediatos em momentos de volatilidade. Por fim, a combinação desses elementos reduz a alavancagem da Petrobras ao petróleo quando comparada à PRIO, cuja exposição é mais direta e menos protegida por mecanismos de hedge.

O banco estima que, em um cenário de Brent a US$ 80 por barril, o retorno sobre fluxo de caixa ao acionista da estatal poderia chegar a cerca de 13% em 2026.

A XP afirma que, dentro da sua cobertura, PRIO e Petrobras seguem como as principais escolhas — mas PRIO é a favorita da casa. A tese passa pela capacidade de geração de caixa em diferentes cenários de preço do Brent. A XP estima que, para cada alta de US$ 10 por barril, o retorno sobre fluxo de caixa ao acionista (ou seja, quanto a empresa gera de caixa livre em relação ao seu valor de mercado) aumenta cerca de 5 pontos percentuais para PRIO e Petrobras. Mas PRIO se destaca por oferecer uma margem de segurança maior em caso de queda do petróleo.

Mesmo com o Brent a US$ 50, a companhia ainda entregaria retorno sobre fluxo de caixa ao acionista próximo de dois dígitos em 2026 e 2027, enquanto a Petrobras teria geração de caixa praticamente zerada nesse nível de preço. Considerando projetos como Wahoo e a participação integral em Peregrino, a XP estima que a PRIO pode oferecer retorno anual em torno de 27% nesse indicador

A Petrobras continua vista como atrativa, especialmente se o Brent se mantiver acima de US$ 80, quando o retorno sobre fluxo de caixa ao acionista poderia chegar a cerca de 12% em 2026. Já a Brava é apontada como a mais alavancada à variação do petróleo — o que amplia o potencial de ganhos em um cenário de alta, mas também aumenta o risco se os preços recuarem.

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