Prisioneiros da Coreia do Norte na guerra da Ucrânia temem retorno ao país

Por Matheus Gonçalves 25 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Prisioneiros da Coreia do Norte na guerra da Ucrânia temem retorno ao país

Dois soldados  da Coreia do Norte foram capturados por forças ucranianas há mais de um ano, mas o destino dos homens permanece em aberto. Os soldados pediram para serem movidos para a Coréia do Sul, já que, se voltassem para sua terra natal, poderiam enfrentar punições severas por terem sido capturados vivos.

"Não sobreviverei [ao retorno]. Todos os outros se explodiram. Eu falhei", disse um dos soldados ao jornal sul-coreano Hankook Ilbo. "Ficaria grato se me aceitassem. Se não o fizerem, não há nada que eu possa fazer", adicionou um dos soldados, segundo o jornal.

As Nações Unidas interviram, com a relatora especial de direitos humanos na Coreia do Norte, Elizabeth Salmon, dizendo esse mês que a Ucrânia deve seguir o protocolo internacional e evitar de mandar prisioneiros de guerra para um lugar onde correm risco de serem torturados.

“O governo ucraniano está muito ciente da situação na Coreia do Norte e respondeu que pode haver motivos razoáveis ​​para acreditar que eles poderiam ser submetidos a tortura naquele país, na RPDC [República Popular Democrática da Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte]”, diz Salmon.

A especialista acrescentou também que manteve contato com o governo ucraniano e recebeu a garantia de que ambos têm direito ao status de prisioneiros de guerra de acordo com o direito internacional humanitário, especificamente a Terceira Convenção de Genebra de 1949.

Por mais que Seoul tenha se mostrado aberta a aceitar os prisioneiros como cidadãos, já que a Constituição sul-coreana prevê status de cidadania para norte-coreanos, Salmon enfatiza que a decisão final depende de Kiev:

“Cabe à Ucrânia. Não cabe à Coreia do Sul decidir o que fazer com essas duas pessoas, mas eles devem avaliar a situação de acordo com o direito internacional”, disse Salmon.

“Existe um princípio — o princípio da não repulsão — e isso está previsto na Convenção sobre Refugiados, mas também na Convenção contra a Tortura”, complementou Salmon, em referência a um princípio do direito internacional que proíbe o envio de prisioneiros de guerra para lugares onde podem ser torturados, em uma entrevista exclusiva com o jornal sul-coreano Korea Herald.

Retribuição por três gerações

Todavia, os soldados não são os únicos que correm perigo na Coreia do Norte. Caso não voltem, o regime pode punir suas famílias ao invés deles – por três gerações, segundo Peter Oh, um especialista da Free Korean Association, que ajuda refugiados norte-coreanos nos EUA.

Em entrevista para o jornal alemão Deutsche Welle, ele apontou que, historicamente, durante e após a Guerra da Coreia, os prisioneiros de guerra que retornavam eram supostamente submetidos a trabalhos forçados e classificados como elementos hostis.

Segundo Oh, esses presos de guerra enfrentarão consequências semelhantes se voltarem. "Repercussões contra suas famílias são possíveis", disse. "Mas o governo norte-coreano pode evitar medidas extremas para impedir o escrutínio internacional."

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