Quanto tempo devemos dormir? Maior estudo do sono desafia regra das 8 horas

Por Vanessa Loiola 4 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quanto tempo devemos dormir? Maior estudo do sono desafia regra das 8 horas

Dormir mais de oito horas por noite pode não ser tão benéfico quanto muita gente imagina. Um novo estudo com cerca de 500 mil adultos - considerado um dos maiores já realizado — concluiu que tanto o excesso quanto a falta de sono estão associados a sinais de envelhecimento biológico acelerado em diferentes órgãos do corpo.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Columbia University e publicada na revista científica Nature. Segundo os autores, as menores taxas de envelhecimento foram observadas entre pessoas que dormiam aproximadamente entre 6,4 e 7,8 horas por noite.

O que os pesquisadores analisaram?

Os cientistas utilizaram dados de cerca de 500 mil participantes do UK Biobank, com idades entre 37 e 84 anos.

Com auxílio de modelos de aprendizado de máquina, a equipe criou 23 “relógios biológicos” capazes de estimar o envelhecimento de 17 sistemas do organismo, incluindo cérebro, coração, pulmões, fígado, sistema imunológico e tecido adiposo.

Os cálculos foram feitos a partir de exames de imagem, proteínas sanguíneas e marcadores metabólicos.

Dormir pouco ou demais mostraram efeitos semelhantes

Os pesquisadores observaram pequenas diferenças entre homens e mulheres. Entre mulheres, a faixa ideal variou de 6,5 a 7,8 horas. Entre homens, de 6,4 a 7,7 horas.

Excesso de sono pode indicar problemas de saúde

Em contrapartida, os autores afirmam que dormir demais provavelmente não é a causa direta do envelhecimento acelerado. Segundo a análise, o sono prolongado pode funcionar como um sinal de problemas de saúde subjacentes, já que pessoas com doenças tendem a dormir mais.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que o mesmo padrão apareceu de forma consistente em diferentes órgãos e sistemas do corpo.

A pesquisa identificou associações entre privação de sono e condições como depressão, ansiedade, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e arritmias cardíacas.

Já tanto o sono curto quanto o longo apareceram ligados a doenças respiratórias, como asma e DPOC, além de distúrbios digestivos.

Os cientistas também observaram que pessoas que dormem pouco e pessoas que dormem muito podem desenvolver depressão na velhice por mecanismos biológicos diferentes.

Apesar disso, os autores ressaltam que o estudo é observacional e mostra associação, não relação direta de causa e efeito. Além disso, a duração do sono foi informada pelos próprios participantes, sem monitoramento por dispositivos eletrônicos.

Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a importância do sono para a saúde geral e para o envelhecimento do organismo.

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