Quem é Shivon Zilis, a mulher no centro do julgamento que pode mudar o futuro da OpenAI

Por Maria Eduarda Cury 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quem é Shivon Zilis, a mulher no centro do julgamento que pode mudar o futuro da OpenAI

Shivon Zilis não é um nome que apareceu com frequência nas coberturas do julgamento entre Elon Musk e a OpenAI. Mas foi o seu depoimento, prestado esta semana no tribunal federal de Oakland, que produziu os momentos mais reveladores de um processo que, desde o início, escancara os problemas da relação tumultuada entre Musk e os fundadores da companhia que ele mesmo ajudou a criar.

As anotações e e-mails de Zilis entre 2017 e 2018 tornaram-se as provas mais pesadas do julgamento e contam uma história diferente da que Musk havia apresentado ao júri. A defesa da OpenAI já havia revelado registros em que o próprio executivo cogitou estruturas comerciais para a empresa desde o início, e os documentos de Zilis reforçam essa versão. Em um deles, uma das opções discutidas era migrar para o modelo com fins lucrativos em poucas semanas. Em outro, ela relata ao gestor financeiro de Musk que Altman, Brockman e Sutskever tinham uma condição inegociável: nenhum controle absoluto de qualquer pessoa sobre a AGI que criassem — leia-se, de Musk.

Zilis também estava ciente, antes da própria OpenAI, de que Musk havia interrompido suas doações à organização. Isso foi registrado por ela em agosto de 2017, semanas antes de o bilionário comunicar a decisão aos cofundadores. Havia ainda uma movimentação para que ela, ao lado de dois colaboradores próximos de Musk, ocupasse assentos no conselho da OpenAI. Isso garantiria ao executivo um controle maior do que afirmava querer publicamente. Esse plano, entretanto, nunca chegou ao conhecimento da equipe da empresa.

Memórias voltaram na hora certa

Musk afirmou em tribunal que o processo transcende o conflito pessoal e pode criar precedentes jurídicos para outras instituições beneficentes nos Estados Unidos. Mas o que o depoimento de Zilis revelou é mais direto e mais comprometedor: a disputa nunca girou em torno da missão da humanidade. Os registros mostram que Musk não tinha objeção a transformar a OpenAI em empresa com fins lucrativos, a absorvê-la pela Tesla de diferentes maneiras ou a atrair seus pesquisadores mais talentosos para iniciativas próprias. O que ele recusava era a perda do controle.

No contrainterrogatório, a advogada da OpenAI Sarah Eddy expôs uma fragilidade adicional: Zilis havia apresentado recordações que estavam ausentes em seu depoimento anterior. Coincidentemente ou não, esses detalhes agora expostos beneficiavam Musk.

Sua versão sobre a saída do conselho da OpenAI também mudou entre uma etapa e outra. O que permanece documentado é uma mensagem enviada a uma amiga na época: ela precisava renunciar porque a nova empreitada de Musk na área de IA — o embrião que se tornaria a xAI — havia se tornado pública. O julgamento segue revelando os bastidores de uma empresa que vale quase US$ 1 trilhão e cujo futuro ainda depende do que for decidido em Oakland.

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