Quem são os jogadores da seleção haitiana que passaram por projeto social brasileiro

Por Paloma Lazzaro 19 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quem são os jogadores da seleção haitiana que passaram por projeto social brasileiro

O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira, 19, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. A partida será disputada às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos.

O confronto entre as seleções também é um encontro entre histórias ligadas pelo futebol. Quatro jogadores do elenco haitiano que estarão em campo têm uma trajetória conectada a um projeto social criado por brasileiros no país caribenho.

O goleiro Josué Duverger, o lateral-direito Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques e o atacante Derrick Etienne passaram pela Academia Pérolas Negras, iniciativa criada pela ONG Viva Rio durante a atuação brasileira na missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.

Projeto nasceu durante missão brasileira no Haiti

A relação entre Brasil e Haiti ganhou um novo capítulo em 2004, quando o Brasil assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), criada após uma crise política que levou à queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide.

No mesmo ano, a ONG Viva Rio iniciou trabalhos no país a convite da ONU, com projetos voltados para áreas como educação, saúde e segurança pública. O futebol passou a ser utilizado como uma ferramenta de inclusão social e formação de jovens.

Nesse contexto surgiu a Academia Pérolas Negras, projeto que buscava oferecer treinamento esportivo aliado a acompanhamento educacional, nutricional e de saúde para adolescentes haitianos.

A iniciativa também teve uma ligação com o Brasil fora do Haiti. Em 2016, o projeto ganhou uma sede no Rio de Janeiro e passou a disputar competições oficiais no país, inicialmente com equipes formadas principalmente por haitianos e refugiados.

O Pérolas Negras participou de duas edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2016 e 2017. No ano seguinte, conquistou o título da quarta divisão do Campeonato Carioca e iniciou uma trajetória no futebol profissional brasileiro.

Quem são os jogadores do Haiti revelados pelo Pérolas Negras

Entre os convocados pelo técnico Sébastien Migné para a Copa do Mundo de 2026 estão quatro atletas que passaram pelo projeto brasileiro.

Josué Duverger

O goleiro de 25 anos foi formado pela Academia Pérolas Negras ainda no Haiti. Atualmente, é uma das opções para a posição na seleção haitiana durante o Mundial.

Carlens Arcus

O lateral-direito de 29 anos é um dos jogadores mais experientes do elenco. Após passar pelo projeto, construiu carreira internacional e atualmente atua pelo Angers, da França.

Danley Jean Jacques

O meio-campista é o nome de maior destaque entre os atletas ligados ao Pérolas Negras. Aos 26 anos, defende o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, e integra a equipe principal do Haiti.

Antes da carreira profissional, Danley passou pela base do projeto no Rio de Janeiro e disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017 pelo Pérolas Negras. Depois, atuou na França pelo Metz.

Derrick Etienne

O atacante, que também atua no futebol dos Estados Unidos, teve parte da formação ligada à academia criada pela Viva Rio e chegou à seleção principal haitiana após o desenvolvimento no projeto.

A seleção favorita dos haitianos e o 'Jogo da Paz' de 2004

A admiração haitiana pelo futebol brasileiro ganhou força especialmente a partir da Copa de 1982, quando a equipe liderada por Sócrates, Zico, Falcão e Toninho Cerezo encantou torcedores ao redor do mundo.

No contexto da Minustah, em 2004, a seleção brasileira realizou uma partida amistosa contra o Haiti, em Porto Príncipe, em um evento que ficou conhecido como “Jogo da Paz”. A iniciativa contou com apoio da FIFA e foi realizada em 19 de agosto, com vitória brasileira por 6 a 0.

O amistoso reuniu alguns dos principais jogadores brasileiros da época, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Júlio César, Juninho Pernambucano e Adriano.

Antes da partida, a chegada da seleção brasileira ao estádio foi acompanhada por uma grande manifestação popular. Milhares de haitianos seguiram o comboio que levava os jogadores pelas ruas de Porto Príncipe, com torcedores ocupando espaços como árvores, carros e telhados para ver de perto os atletas, de acordo com a cobertura de O Globo na época.

Apesar da goleada brasileira, o resultado ficou em segundo plano para os torcedores haitianos. A população comemorou a presença dos craques e transformou o evento em um momento de celebração.

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