R$ 43 bi em 30 dias: a maratona de 50 leilões até o fim de março no Brasil
O Brasil terá mais de 50 leilões de infraestrutura entre o fim de fevereiro e 31 de março, que somam R$ 43 bilhões em investimentos privados.
O dado faz parte de um levantamento exclusivo da Radar PPP, consultoria especializada no monitoramento de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), à EXAME.
“Estamos falando de mais de 50 leilões em cerca de 30 dias. Não é comum ver uma janela tão intensa de oportunidades em infraestrutura como a que está aberta agora”, afirma Guilherme Naves, sócio da Radar PPP.
A lista reúne projetos federais, estaduais e municipais em setores como rodovias, saneamento, educação, infraestrutura social, florestas e aeroportos.
Parte dos certames já foi realizada nesta semana, como a concessão do Sistema de Transporte Coletivo de Campinas (R$ 960 milhões), a nova sede do governo de São Paulo (R$ 6,1 bilhões) e a Rota Mogiana (R$ 9,3 bilhões).
Entre os principais leilões previstos até 31 de março estão o Bloco 2 de Rodovias do Rio Grande do Sul (R$ 5,9 bilhões), o programa de PPP de escolas do Paraná (R$ 1,5 bilhão), a PPP de esgotamento sanitário de Goiás (R$ 6,2 bilhões), a concessão de saneamento na Paraíba (R$ 3 bilhões), e o leilão rodoviário da Rota das Gerais, que inclui trechos das BR-116 e BR-251 em Minas Gerais (R$ 7,6 bilhões).
No âmbito federal, está marcada a venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão, com lance mínimo de R$ 932 milhões, no final de março.
Para Guilherme Naves, sócio da Radar PPP, o volume impressiona pela concentração em um curto espaço de tempo.
“Até abril, a gente tem mais de R$ 43 bilhões de investimento privado a serem contratados, com mais de 50 leilões programados. É muito projeto diferente saindo praticamente ao mesmo tempo”, afirma.
Segundo ele, o pipeline inclui ativos de perfis distintos e em diferentes níveis de governo, o que reforça a pujância do setor de infraestrutura, mesmo em um ano eleitoral.
“Tem rodovia, tem centro administrativo, tem escola, tem saneamento na Paraíba e em Goiás, tem concessão florestal, tem aeroporto. É um volume forte e muito diverso”, diz.
A fala de Naves se traduz nos números que mostram a pulverização dos projetos entre diferentes tipos.
Entre os mais de 50 leilões mapeados pela consultoria, os pátios veiculares de serviços de guincho lideram em quantidade, com 15% dos projetos, seguidos por portos (13%) e rodovias e água e esgoto, ambos com 11%. Também aparecem concessões de parques naturais e unidades de conservação (9%), iluminação pública e educação (7% cada), além de estacionamentos, prédios públicos e mobilidade urbana, com cerca de 6% cada.
Há ainda projetos em serviços funerários e saúde (4%), enquanto aeroportos e resíduos sólidos respondem por 2% do total.
R$ 200 bi em infra
Segundo Naves, o ritmo do primeiro trimestre mantém a trajetória observada no ano passado. Em 2025, o Brasil superou a marca de R$ 200 bilhões em investimentos contratados em infraestrutura, o maior volume já registrado pela consultoria, impulsionado por projetos de maior porte.
Para ele, o início de 2026 chama atenção também pelo momento do calendário.
“Tem gente que fala que o ano começou agora. E até abril já vamos ter contratado mais de R$ 43 bilhões”, diz.
O especialista avalia que a combinação entre frequência de leilões e diversidade setorial coloca o país em posição singular no cenário internacional.
“Não tem lugar nenhum do mundo que você vai encontrar uma oferta de projetos igual à que o Brasil está oferecendo nesse início de 2026. Pode até ver algo circunstancialmente na Índia ou em outro país, mas não com essa constância”, afirma.
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