Raízen entra em recuperação extrajudicial com dívida de R$ 65 bilhões

Por Tamires Vitorio 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Raízen entra em recuperação extrajudicial com dívida de R$ 65 bilhões

A Raízen (RAIZ4), empresa de energia e bioenergia controlada por Cosan e Shell, protocolou nesta quarta-feira, 11, o maior pedido de recuperação extrajudicial do país, com o objetivo de renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.

Entre as alternativas em discussão está a conversão de parte do passivo em participação acionária. A proposta considera transformar aproximadamente 40% da dívida em ações, medida que reduziria a alavancagem da empresa para algo próximo de três vezes o Ebitda.

No fim de dezembro, a empresa mantinha cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa. Entre os credores estão bancos, investidores em bond, detentores de CRAs e debenturistas.

A companhia também contratou escritórios jurídicos e assessores financeiros para conduzir a negociação, incluindo Pinheiro Neto e a consultoria Rothschild & Co.

A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie diretamente com parte dos credores e leve posteriormente o acordo à validação judicial. Diferentemente da recuperação judicial, o processo não envolve todos os compromissos financeiros da empresa.

A empresa agora tem 90 dias para alcançar o apoio da maioria simples dos credores, condição necessária para formalizar o acordo. O instrumento foi protocolado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJT-SP).

Durante esse período, os pagamentos de juros e principal das dívidas financeiras ficam suspensos. A companhia informou que continuará cumprindo normalmente compromissos com fornecedores e funcionários, preservando caixa enquanto negocia a reestruturação.

O que pressionou os resultados

Fundada em 2011, a Raízen atua na produção de açúcar e etanol e na distribuição de combustíveis sob a marca Shell.

A companhia realizou em 2021 uma das maiores ofertas públicas iniciais da bolsa brasileira, captando R$ 6,9 bilhões.

Nos últimos anos, porém, o aumento da alavancagem financeira coincidiu com fatores que pressionaram os resultados. Condições climáticas adversas afetaram a produção de cana-de-açúcar, enquanto a alta da taxa Selic elevou o custo do endividamento.

Investimentos em expansão também ampliaram as necessidades de capital. A compra da Biosev, concluída em 2021 por cerca de R$ 6,5 bilhões, exigiu aportes adicionais para modernização das unidades industriais.

Projetos ligados à transição energética, como o etanol de segunda geração e o combustível sustentável de aviação, ainda não produziram retorno financeiro relevante.

Diante da pressão sobre o caixa, a companhia iniciou a venda de ativos e unidades industriais, além de avaliar a alienação de operações na Argentina.

GPA também recorre à recuperação extrajudicial

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou também na terça-feira que recorreu à recuperação extrajudicial como alternativa para reorganizar suas obrigações financeiras.

A varejista busca renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas com credores selecionados. Assim como no caso da Raízen, o mecanismo permite suspender pagamentos enquanto as partes discutem um novo cronograma financeiro.

A estratégia vem sendo adotada por empresas que buscam reorganizar passivos sem recorrer ao processo mais amplo da recuperação judicial, que envolve todos os credores e costuma impor maior interferência do Judiciário.

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