Rali nas bolsas com cessar-fogo somou US$ 90 bi à fortuna dos mais ricos

Por Caroline Oliveira 9 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Rali nas bolsas com cessar-fogo somou US$ 90 bi à fortuna dos mais ricos

O anúncio na terça-feira de um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã desencadeou um rali de alívio nas bolsas globais logo no dia seguinte e elevou em cerca de US$ 90 bilhões a fortuna combinada das 20 pessoas mais ricas do mundo, segundo o índice de bilionários da Bloomberg. Apenas os dez primeiros colocados da lista adicionaram juntos US$ 52 bilhões em patrimônio em um único pregão, em um movimento acompanhado por altas superiores a 2,5% no dia nos três principais índices acionários dos EUA.

Entre os maiores beneficiados está Mark Zuckerberg, CEO da Meta, cuja fortuna avançou quase US$ 13 bilhões após as ações da companhia subirem 6,5%, movimento associado tanto ao alívio geopolítico quanto ao entusiasmo com o novo modelo de IA da empresa, o Muse Spark.

Na sequência aparecem Bernard Arnault, CEO da LVMH, com ganho próximo de US$ 10 bilhões, além dos cofundadores da Alphabet, Larry Page e Sergey Brin, que adicionaram cerca de US$ 9 bilhões e US$ 8 bilhões, respectivamente. Também registraram avanços relevantes Amancio Ortega, fundador da Inditex (dona da Zara), cuja fortuna subiu cerca de US$ 7 bilhões; Jeff Bezos, fundador da Amazon, que ganhou quase US$ 7 bilhões; Michael Dell, CEO da Dell Technologies, com alta de US$ 5 bilhões em seu patrimônio; e os três herdeiros do Walmart, que viram suas fortunas avançarem cerca de US$ 4 bilhões cada.

Elon Musk foi exceção

A principal exceção foi Elon Musk, que registrou perda de cerca de US$ 2 bilhões após queda de 1% nas ações da Tesla, permanecendo ainda assim como o mais rico do mundo, com patrimônio estimado em US$ 623 bilhões.

Apesar do alívio recente dessa semana, parte dos bilionários segue acumulando perdas em 2026, em meio a incertezas sobre os impactos da IA e tensões geopolíticas que vêm pressionando as bolsas. O patrimônio de Larry Ellison, cofundador da Oracle, recuou cerca de US$ 56 bilhões no ano; Arnault perdeu US$ 43 bilhões; e Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft, viu sua fortuna encolher em US$ 35 bilhões.

Zuckerberg e Bezos também permanecem no negativo no acumulado do ano, o primeiro com perda de aproximadamente US$ 16 bilhões e o segundo com recuo de US$ 11 bilhões.

Ainda segundo dados da Bloomberg, os grandes vencedores de 2026, até agora, fogem do padrão. Cofundadores e sócios da Kingston Technology, fabricante de drives e módulos de memória, David Sun e John Tu ficaram cerca de US$ 22 bilhões mais ricos cada um neste ano, puxados pela forte demanda de empresas de IA pelos seus produtos. Outro destaque é Robert Pera, fundador e CEO da Ubiquiti e dono do Memphis Grizzlies, que ganhou perto de US$ 20 bilhões em 2026.

Entre os veteranos, o empresário de telecomunicações Carlos Slim e o financista Jeff Yass ganharam cerca de US$ 18 bilhões; Dell acumula alta de aproximadamente US$ 17 bilhões; e os Walton, herdeiros do Walmart, somaram cerca de US$ 14 bilhões cada.

O rali foi impulsionado pela expectativa de que o acordo negociado pelo presidente Donald Trump com o Irã contribua para a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte global de petróleo e gás que permaneceu praticamente fechado por cerca de cinco semanas. A interrupção dos fluxos energéticos havia pressionado preços de petróleo e gás e reacendido temores de inflação e recessão — fatores que vinham pesando sobre os mercados e, consequentemente, sobre o patrimônio dos bilionários globais.

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