Raúl Jiménez quase morreu em campo. Agora, abre a Copa do Mundo pelo México
Quando a bola rolar para México e África do Sul na abertura da Copa do Mundo de 2026, nesta quinta-feira, 11, no Estádio Azteca, poucos jogadores em campo carregarão uma história tão improvável quanto a de Raúl Jiménez.
Aos 35 anos, o atacante será uma das referências da seleção anfitriã diante de sua torcida. O momento, porém, tem um significado que vai muito além do futebol. Há pouco menos de seis anos, o mexicano lutava pela própria vida após sofrer uma grave lesão na cabeça durante uma partida da Premier League.
Hoje, Jiménez entra em campo como um dos líderes da equipe mexicana e com a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo em casa. "Estou muito empolgado; o país inteiro está assim. Sinto que podemos fazer história: para nós, para o futebol mexicano e para a história do México", afirmou recentemente ao site oficial do time inglês Fulham.
O dia que parou o futebol inglês
O episódio que mudou sua trajetória aconteceu em novembro de 2020. Na época, vivendo o melhor momento da carreira pelo Wolverhampton, Jiménez sofreu uma forte colisão com o zagueiro David Luiz durante uma disputa aérea contra o Arsenal. O impacto causou uma fratura no crânio e exigiu uma cirurgia de emergência para aliviar a pressão no cérebro.
As horas seguintes foram de tensão para familiares, companheiros de equipe e torcedores. A prioridade deixou de ser o futebol. A preocupação era apenas uma: sua sobrevivência.
A recuperação foi lenta e cercada de incertezas. Após deixar o hospital, o atacante precisou reaprender etapas básicas da rotina, recuperar o equilíbrio e retomar gradualmente os treinamentos. Primeiro vieram os exercícios leves. Depois, os trabalhos individuais. Apenas meses mais tarde ele voltou a cabecear bolas e participar normalmente das atividades com o grupo.
O retorno aos gramados aconteceu usando uma proteção especial na cabeça, acessório que se tornou uma marca registrada da sua imagem desde então.
Como Jiménez reaprendeu a jogar
Mesmo recuperado clinicamente, o desafio seguinte era recuperar a confiança. O jogo aéreo, uma de suas principais características, deixou de ser tão natural. Os gols diminuíram e muitos passaram a acreditar que o atacante jamais voltaria ao alto nível.
Mas Jiménez encontrou um novo caminho. Sob o comando de Marco Silva no Fulham, reinventou seu estilo de jogo. Menos dependente da força física e mais apoiado na qualidade técnica, inteligência tática e experiência, voltou a ser decisivo.
Os números comprovam a recuperação. Entre clube e seleção, marcou 18 gols na temporada 2024/25. Também foi peça fundamental nas recentes conquistas do México, incluindo a Copa Ouro da Concacaf e a Liga das Nações da Concacaf, torneios nos quais marcou gols decisivos em finais.
A reinvenção de um atacante
O desempenho lhe garantiu espaço tanto no Fulham quanto na seleção mexicana. Em Londres, frequentemente aparecia à frente do brasileiro Rodrigo Muniz na disputa por posição. Pela equipe nacional, seguiu sendo uma das principais opções ofensivas, mesmo diante da concorrência de Santiago Giménez.
Recentemente, sua trajetória ganhou mais um capítulo simbólico. Jiménez acertou o retorno ao Wolverhampton, clube onde viveu os melhores momentos da carreira e também o episódio mais traumático de sua vida.
O atacante admite que a experiência transformou sua forma de enxergar o mundo. "Isso te ajuda a parar e pensar em coisas que você nunca pensou antes. E talvez aproveitar mais o que você faz. Viver a vida no momento presente, a 100%", afirmou.
O palco perfeito para o desfecho
Por isso, a partida de abertura da Copa do Mundo representa muito mais do que um jogo para Raúl Jiménez. Ela simboliza a conclusão de uma jornada que passou por uma cirurgia de emergência, meses de recuperação e dúvidas sobre o futuro.
Agora, diante de um Azteca lotado e de um país inteiro sonhando com uma campanha histórica, o atacante tem a chance de viver um dos maiores momentos de sua carreira.
E, considerando tudo o que aconteceu desde aquela tarde em Londres, apenas estar ali já é uma vitória extraordinária.
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