Receita cria ‘curador de IA’ para reduzir erros e vieses no uso da tecnologia
O uso da inteligência artificial no setor público brasileiro entra em uma nova fase, mais regulada e estruturada. A Receita Federal anunciou a criação de uma política inédita para orientar o uso da tecnologia, incluindo a figura do “Curador de IA” — responsável por monitorar erros, vieses e qualidade das respostas geradas por sistemas automatizados.
A medida posiciona o Brasil entre os países que buscam equilibrar inovação com governança, em um momento em que a IA avança rapidamente sobre processos críticos.
Curador de IA: uma nova função no setor público
O destaque da política é a criação de um papel inédito: o Curador de Inteligência Artificial Generativa. Na prática, esse profissional será responsável por supervisionar o funcionamento dos sistemas de IA, avaliando:
A função surge como resposta direta à natureza probabilística da IA generativa, que pode produzir respostas plausíveis, mas nem sempre corretas.
O modelo aproxima o setor público brasileiro de discussões internacionais sobre governança de IA, que já vêm sendo conduzidas por organismos como a OCDE e a União Europeia.
Decisão final continua sendo humana
Um dos pilares da política é a preservação da autonomia humana.
A Receita Federal deixa explícito que a inteligência artificial será utilizada como ferramenta de apoio — e não como substituição do julgamento humano. Decisões administrativas e atos legais continuam sob responsabilidade exclusiva de servidores públicos.
A diretriz segue uma tendência global. Relatórios recentes da OCDE e da Comissão Europeia reforçam a necessidade de manter os humanos no centro de decisões críticas, especialmente em áreas sensíveis como tributação e segurança.
Limites éticos e responsabilização
A nova política também estabelece regras claras sobre o uso da tecnologia. Entre as práticas proibidas estão:
Além disso, o uso inadequado da tecnologia passa a ser tratado como responsabilidade individual do agente público, e não apenas como falha sistêmica.
Proteção de dados e soberania digital
Outro eixo central é a proteção de dados. A Receita Federal proíbe que informações tributárias sejam utilizadas por terceiros ou fornecedores para treinar modelos comerciais de inteligência artificial. A medida reforça o conceito de soberania digital, priorizando controle interno sobre dados e infraestrutura.
Esse movimento acompanha discussões globais sobre segurança da informação. Segundo análises de entidades como o Fórum Econômico Mundial, o uso de dados sensíveis em IA é um dos principais pontos de risco na expansão da tecnologia.
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