Redução de impostos e equilíbrio fiscal: o que a indústria espera do próximo presidente
A redução de impostos e a consolidação da reforma tributária são as principais demandas da indústria para o próximo presidente da República. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta segunda-feira, 22, mostra que 29% dos empresários industriais consideram a pauta tributária a prioridade mais urgente para o governo que assumirá o comando do país pelos próximos quatro anos.
Os resultados serão apresentados durante o evento "A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis", realizado em Brasília. Na ocasião, a entidade entregará aos pré-candidatos ao Planalto o documento Construindo o Brasil 2050, que reúne propostas para áreas como agenda macroeconômica, política industrial, inovação, infraestrutura, energia, sustentabilidade e segurança jurídica. Os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) confirmaram participação no encontro.
Do total de entrevistados, 18% apontaram a reforma tributária e a redução da carga de impostos como a principal medida a ser adotada pelo novo governo, enquanto outros 11% classificaram o tema como a segunda ação mais importante.
Na sequência aparecem o equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública, citados por 22% dos empresários. Já as medidas de incentivo à indústria e à produção ocupam a terceira posição entre as prioridades, mencionadas por 21% dos entrevistados.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o país precisa alinhar política fiscal e monetária para criar um ambiente mais favorável ao investimento produtivo.
Segundo ele, a indústria está preparada para ampliar sua participação no crescimento econômico, mas depende de maior previsibilidade e de um Estado capaz de estimular o desenvolvimento de longo prazo.
Para 72% dos empresários industriais, a redução da dívida pública por meio do corte de despesas é a principal medida para permitir uma queda sustentável das taxas de juros. A autonomia do Banco Central foi citada por 11% dos entrevistados, enquanto 6% defenderam maior concorrência entre instituições financeiras.
Prioridades vão além da agenda tributária
Ao detalhar as expectativas para diferentes áreas da administração pública, a pesquisa mostra que os empresários associam competitividade econômica a reformas estruturais.
Na área de emprego, 71% apontaram a redução de impostos sobre a folha de pagamento como principal prioridade. Em saúde, 48% defenderam o combate à corrupção e ao desvio de recursos. Já em segurança pública, 45% citaram o enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
No campo da economia, 42% dos entrevistados indicaram o controle dos gastos públicos combinado à redução de impostos como principal ação governamental. Em educação, a melhoria da capacitação dos professores liderou as respostas, com 38% das menções.
Inovação e acesso a crédito entram na pauta dos presidenciáveis
Além da reforma tributária e do ajuste fiscal, a CNI aproveita o encontro com os presidenciáveis para defender mudanças no ambiente de inovação brasileiro.
A entidade argumenta que o país ampliou significativamente os recursos destinados ao desenvolvimento tecnológico, mas ainda enfrenta gargalos burocráticos que limitam o acesso das empresas aos programas de fomento.
Em 2026, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal instrumento federal de apoio à inovação, prevê mais de R$ 17 bilhões para financiamento de projetos inovadores. Para a indústria, no entanto, a ampliação dos recursos precisa ser acompanhada de processos mais simples e rápidos.
Dados levantados pela própria CNI mostram que 36% dos empresários consideram a burocracia o principal obstáculo para acessar instrumentos públicos de apoio à inovação. Entre os entrevistados, 42% afirmaram que sequer tentaram utilizar esses mecanismos.
As dificuldades são ainda maiores para micro e pequenas empresas, que enfrentam exigências de garantias consideradas incompatíveis com projetos baseados em ativos intangíveis e de maior risco tecnológico. Segundo a entidade, o intervalo entre a aprovação de um projeto e a liberação dos recursos pode chegar a 18 meses, prazo considerado incompatível com o ritmo da inovação.
Para enfrentar o problema, a CNI propõe simplificação dos processos em instituições como BNDES e Finep, ampliação de fundos garantidores para pequenas empresas, modernização das linhas de crédito e flexibilização das exigências de garantias reais.
A entidade também defende a ampliação dos incentivos da Lei do Bem para empresas fora do regime de Lucro Real e a criação de mecanismos que permitam o compartilhamento dos riscos tecnológicos.
O documento entregue aos presidenciáveis também sugere a construção de uma estratégia nacional de inovação de longo prazo, com foco em áreas consideradas estratégicas para o país, como inteligência artificial, bioeconomia, combustíveis do futuro, novos materiais e digitalização da indústria.
Combate ao Custo Brasil segue como principal demanda empresarial
As propostas apresentadas pela indústria dialogam diretamente com os desafios enfrentados pelas empresas nos últimos anos. Entre as prioridades apontadas pelos empresários para melhorar o ambiente de negócios, a redução de impostos aparece novamente na liderança, citada por 45% dos entrevistados.
Em seguida surgem a redução dos juros e a ampliação da oferta de crédito, mencionadas por 26% dos respondentes, além de medidas de incentivo à indústria e à produção, apontadas por 21%.
A percepção está alinhada aos fatores que mais prejudicaram a atividade industrial nos últimos 12 meses. Em uma escala de 1 a 5, a alta carga tributária recebeu nota média de 4,4 em impacto negativo. A indisponibilidade de mão de obra e as taxas de juros elevadas registraram média de 4,1.
Apesar dos desafios, os empresários mantêm uma visão relativamente estável sobre os investimentos para os próximos quatro anos. Entre os entrevistados, 41% afirmaram que pretendem manter o atual nível de aportes em suas operações. Outros 28% planejam ampliar investimentos, enquanto 9% projetam redução. Já 20% disseram não ter intenção de investir no período.
Para Ricardo Alban, a indústria busca respostas que permitam combinar crescimento econômico, aumento da produtividade e redução das desigualdades sem comprometer a estabilidade macroeconômica. Segundo o executivo, a manutenção de juros elevados e a expansão descontrolada dos gastos públicos ampliam a distância entre o Brasil e os países que conseguem sustentar ciclos mais longos de desenvolvimento.
A pesquisa Prioridades da Indústria – Percepções para o ciclo 2027-2030 foi realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados entre 7 de maio e 5 de junho de 2026. O levantamento ouviu 1.003 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande porte em todas as regiões do país.
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