Reunião do Copom começa nesta terça com expectativa de corte de 0,25 ponto

Por André Martins 28 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Reunião do Copom começa nesta terça com expectativa de corte de 0,25 ponto

O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira, 28, a reunião que deve reduzir a taxa básica de juros para 14,5% ao ano, na segunda redução consecutiva.

Segundo economistas consultados pela EXAME, o Copom deve realizar um novo corte de 0,25 ponto sem mudanças significativas na comunicação.

Segundo os contratos de Opções de Copom da B3, instrumento que capta a expectativa dos agentes financeiros para a próxima reunião do Banco Central, 85% das apostas são de uma queda de 0,25 ponto percentual. Cerca de 10% esperam pela manutenção e apenas apostam em uma queda de 0,5 ponto.

Na última reunião, o BC reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano. Com o contexto da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, no comunicado e na Ata, o comitê reforçou que adotará cautela na condução da política monetária e não indicou os próximos passos do ciclo de cortes da Selic.

Em palestras nas últimas semanas, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou o tom do comunicado oficial, afirmando que o colegiado atuará com cautela.

O economista-chefe do Itaú BBA, Mario Mesquita, aponta em relatório que o comitê deve manter o ritmo de corte e enfatizar a serenidade e cautela na condução da política monetária, adicionando que os passos futuros do processo de calibração seguirão guiados pela evolução dos dados e pela avaliação contínua do balanço de riscos.

A avaliação de Mesquita é que não houve grandes novidades em termos do conjunto de informações sobre a atividade econômica e, por isso, não deve adicionar convicção ao diagnóstico do BC.

"Por outro lado, os dados correntes de inflação trouxeram surpresas importantes e as expectativas de mercado para o IPCA tiveram alta expressiva (consumindo parte do orçamento existente para redução da taxa Selic, por deslocar mecanicamente para baixo as taxas de juros reais)", afirmou.

Nas últimas semanas, os analistas do mercado financeiro subiram as projeções de inflação. Para 2026, saiu de 4,31% há quatro semanas para 4,80%. Para o fim de 2027, período relevante para a política monetária, a expectativa é de 4%.

Com esse cenário, o economista destaca que o Copom deve repetir o comentário introduzido na última ata, em que afirma que "após debater o balanço de riscos, julgaram apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo, em função da incerteza elevada".

Na mesma linha, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Researc, afirma que o Copom deve dar continuidade ao processo de ajuste da política monetária de forma gradual.

A avaliação de Sung é que a comunicação deve ter um tom mais firme (hawkish), com o objetivo de preservar a credibilidade do Banco Central em um momento de corte marginal de juros, piora das expectativas de inflação e incertezas externas.

"O Copom deve reforçar uma postura prudente e dependente dos dados, reiterando que a taxa Selic atual permanece compatível com a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante. Para os próximos passos, a tendência é preservar flexibilidade, sem indicar de forma explícita o ritmo dos ajustes", afirmou.

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