Rope jump: juiz cita 'tentativa de fuga' e 'negligência' para decretar prisão de instrutores
A conversão da prisão em flagrante para preventiva, dos três acusados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), no sábado, foi determinada pela Justiça após os instrutores trocarem de roupa e tentarem fugir do local, segundo testemunhas informaram à polícia.
O trio nega as acusações e diz que permaneceu no local.
Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, aparecem em uma filmagem com Maria Eduarda nos braços, prestes a ser arremessada na modalidade "aviãozinho" do rope jump.
Assim que a jovem saltou dos braços do trio, as pessoas presentes que filmavam o salto viram que ela não tinha sido amarrada pelas cordas. Ela sofreu múltiplas fraturas e morreu no local.
"No momento em que um dos policiais se afastou para prestar apoio ao resgate, inclusive com a finalidade de sinalizar local seguro para estacionamento das viaturas — considerando as más condições do terreno, com presença de lama e risco de atolamento — os referidos indivíduos se evadiram em direção a uma área de vegetação. Diante da fuga, foi solicitado apoio de outras viaturas e da aeronave (Águia)", disse, na delegacia, um dos policiais que prestaram socorro à vítima.
À delegada que registrou a ocorrência, os três acusados foram questionados se trocaram de roupa e tentaram fugir.
"Eu tirei (a roupa) porque ela estava molhada. A minha camiseta já estava molhada (...) estava muito suja, fui ao carro e coloquei uma limpa. O resgate chegou com os aparelhos e eu saí e subi a trilha. Passei no carro, troquei a camiseta e fui para o meio da ponte. Nisso, os policiais chegaram com arma na mão e aí caiu a ficha. A gente está aqui. Ninguém correu", afirmou Egoroff, em depoimento. Perguntado novamente se tentou fugir do local, o acusado negou. "Não existe essa versão. Todos os responsáveis ficaram ali", contou o instrutor.
Assim como Egoroff, os outros dois presos negam tentarem fugir da cena do crime. Além disso, eles dizem não saber o que aconteceu para a jovem não ter sido amarrada.
"Geralmente é o Felipe (Egoroff) quem coloca a corda. Em 99% dos casos. E eu fico auxiliando a operação. Participo da checagem, eu chamo a pessoa, confiro o capacete. Mas no caso dela eu não lembro. Não lembro", afirma Maicon Cintra.
Após a audiência de custódia, o juiz Paulo Henrique Stahlberg Natal, da Vara de Criminal de Limeira, decretou a prisão preventiva dos três acusados, sob a alegação de que eles tentaram empreender fuga e pode atrapalhar as investigações. Ele listou cinco motivos para embasar a sua decisão.
"A morte de vítima jovem (21 anos de idade) em circunstâncias evitáveis; a negligência grosseira na execução de atividade comercial de alto risco, caracterizada pela omissão deliberada de equipamento de segurança indispensável; a premeditação implícita na organização da atividade sem observância de protocolos de gerenciamento de risco, revelando aceitação consciente do risco de morte; o aproveitamento da vulnerabilidade da vítima, que confiava na competência e responsabilidade dos organizadores; a tentativa de fuga e alteração de vestimentas após o evento, demonstrando consciência da ilicitude e intenção de obstruir a investigação", disse o juiz.
Além dos motivos citados, o juiz Natal diz que o risco de reiteração delitiva é concreto, pois os indiciados exerciam a atividade de forma habitual. Para o magistrado, "a liberdade deles poderia levar à repetição de condutas igualmente perigosas".
(Com agência O Globo)
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