Rumo à Turquia: “COP do Futuro” estreia sem metas concretas em carta inaugural da COP31

Por Sofia Schuck 18 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Rumo à Turquia: “COP do Futuro” estreia sem metas concretas em carta inaugural da COP31

No cruzamento entre Europa e Ásia, a Turquia lançou a ideia de uma “COP do Futuro” e se posiciona como "ponte entre regiões e culturas" na estreia de sua presidência da COP31.

A proposta foi apresentada em carta inaugural divulgada em 13 de abril, que estabelece as diretrizes gerais da grande conferência climática da ONU em Antália, mas ainda sem metas concretas ou novos compromissos para combater à crise do clima.

“O mundo está entrando em um período decisivo para o futuro da ação climática”, escreveu o presidente designado da COP31, o ministro turco Murat Kurum. Segundo ele, a presidência buscará “reforçar a confiança na capacidade da ação multilateral de gerar resultados tangíveis”.

Modelo pioneiro de governança

Após impasses na última COP30 em Belém, se definiu que a próxima edição seria conduzida por um modelo pioneiro de compartilhamento entre dois países: Turquia e Austrália. O evento está marcado de 9 a 20 de novembro de 2026 na cidade turca de Antália.

Enquanto a presidência turca ficará responsável pela coordenação política e pela Agenda de Ação, a Austrália liderará as negociações formais. O ministro australiano de Mudança Climática e Energia, Chris Bowen, foi nomeado presidente das negociações.

No texto, Kurum afirma que o arranjo representa “um modelo inovador que promete uma COP mais inclusiva e orientada a soluções”.

O líder também prometeu em breve uma próxima carta conjunta com o ministro australiano para detalhar as prioridades das negociações e os caminhos para avançar nos diferentes pilares da agenda climática.

A presidência também destacou a atuação no formato de “troika”, em coordenação com Azerbaijão e Brasil, conectando as últimas conferências do clima e buscando garantir maior previsibilidade ao processo.

Apesar do discurso ambicioso, o documento não traz anúncios relevantes nem compromissos concretos, mantendo-se em um nível predominantemente protocolar nesta estreia da presidência turco-australiana.

O foco será na implementação, assim como foi proposto na COP30, e a presidência será guiada por três princípios: “diálogo, consenso e ação”, segundo o ministro.

A ideia, de acordo com a carta, é ampliar a participação entre países, construir confiança e garantir resultados concretos.

As prioridades da COP31: próximos passos

A Agenda de Ação da COP31 será estruturada em torno de temas prioritários como economia circular e desperdício zero, transição energética, industrialização de baixo carbono, resiliência climática, segurança alimentar e cidades sustentáveis.

Também estão entre as prioridades o fortalecimento de mecanismos financeiros, a promoção de ações integradas entre clima, biodiversidade e uso da terra, e a ampliação da participação da juventude.

O documento reforça a continuidade das negociações internacionais, incluindo as conquistas e avanços colocados à mesa em Belém e reafirma o compromisso com o histórico Acordo de Paris que limita a temperatura a 1.5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

Entre os principais eventos preparatórios, a carta destaca a realização da reunião Pré-COP entre 5 e 8 de outubro de 2026, em Fiji, com um encontro de líderes em Tuvalu.

Já a Cúpula de Líderes Mundiais da COP31 está marcada para os dias 11 e 12 de novembro, em Antália, e deve ser um dos momentos centrais para anúncios políticos e novos compromissos.

A estrutura da presidência também foi detalhada. Samed Ağırbaş, presidente da Zero Waste Foundation, foi nomeado High-Level Champion ou "Campeão climático" da COP31, responsável por impulsionar a Agenda de Ação e fazer o elo com o setor privado, enquanto a australiana Sally Higgins foi designada Campeã Climática da Juventude.

Na presidência, Fatma Varank atuará como CEO da COP31, responsável pela condução estratégica e implementação da agenda política. Já o vice-ministro Omer Bulut ficará encarregado da infraestrutura e logística do evento, enquanto Burak Demiralp responderá pela operação e gestão dos espaços da conferência.

Para fechar o time, o diretor de mudança climática, Halil Hasar, atuará como responsável pela diplomacia climática.

Ao destacar o papel do país anfitrião, Kurum afirmou que "a Turquia está empenhada em garantir que o caminho até Antália seja conduzido de forma transparente, previsível e inclusiva”.

Em tom de cobrança e expectativa, o presidente designado conclui que “o mundo deve transformar palavras em resultados concretos” — um objetivo que, até aqui, ainda não se reflete em metas específicas na largada da COP31.

1/10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)

2/10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)

3/10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)

4/10 (Nova Doca: parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos tantos canais que cortam a cidade)

5/10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)

6/10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)

7/10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)

8/10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)

9/10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)

10/10 Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)

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