Rumo inova para proteger fauna e reduzir impacto das ferrovias; veja imagens
Tem algo de improvável na cena: um grupo de macacos-prego atravessando uma ferrovia sem tocar o chão, caminhando pelas copas das árvores como se a linha de trem embaixo simplesmente não existisse.
Mas é exatamente isso que as armadilhas fotográficas da Rumo vêm registrando desde o fim de 2025 — e o flagrante não é só uma boa foto. É o sinal de que uma aposta da empresa na proteção da fauna está funcionando.
A Rumo, que opera há 10 anos e administra mais de 14 mil quilômetros de ferrovia em nove estados, já conta com uma frota de 1.400 locomotivas e 35 mil vagões. É uma das principais artérias do agronegócio brasileiro — e sua malha passa por cerca de 500 municípios.
Pontes de dossel ao redor da operação da Rumo impedem acidentes envolvendo espécies de animais e evitam que grupos de animais sejam separados pela passagem dos trens (Rumo/Divulgação)
Crescer, para a empresa, envolve necessariamente lidar com impactos territoriais em escala. Ruído, uso de água, gestão de resíduos e o impacto sobre a fauna local figuram entre os principais desafios das licenças de instalação.
As chamadas pontes de dossel são uma das respostas a esse último desafio. As estruturas são instaladas sobre os trilhos na altura das copas das árvores para criar uma passagem aérea contínua entre fragmentos de vegetação atravessados pela ferrovia.
A lógica é direta: espécies arborícolas como macacos evitam descer ao solo para cruzar obstáculos. Quando uma ferrovia divide um fragmento de mata ao meio, o resultado prático é o isolamento de populações — o chamado efeito barreira. As pontes tentam desfazer esse corte sem interromper a operação.
Como funciona?
A empresa conta hoje com 11 dessas estruturas em três malhas. Na Malha Paulista, sete foram implantadas entre 2024 e 2025 em pontos definidos a partir de estudos de paisagem e conectividade ecológica: duas em Fernando Prestes, três em Cotia e duas no Parque Estadual da Serra do Mar, entre São Vicente e a capital paulista.
Na Malha Norte, três estruturas ficam em Cassilândia, no Mato Grosso do Sul, e há ainda uma na Malha Central, em São Simão, Goiás. O monitoramento, conduzido pela consultoria ViaFauna com armadilhas fotográficas, já registrou, além dos macacos-prego, o pato-do-mato e o jacurutu — a maior coruja do Brasil.
No Mato Grosso, a companhia já conta com viadutos vegetados para travessia de animais e mais de 2 mil passagens subterrâneas para a fauna noturna (Rumo/Divulgação)
"As pontes de dossel ajudam a reduzir o risco de atropelamentos e aumentam a segurança tanto para os animais quanto para a operação ferroviária", afirma Tatiane Bressan Moreira, coordenadora do Programa de Proteção à Fauna da Rumo.
A iniciativa se encaixa numa lógica que a empresa repete em outras frentes: tratar a agenda ambiental como parte da eficiência operacional, não como custo separado.
A estratégia passa por transportar mais carga em menos viagens — reduzindo emissões por tonelada — e ganhar eficiência energética com tecnologia. Entre 2020 e o ano passado, o volume transportado saltou de 50 bilhões para 84 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), enquanto as emissões específicas caíram.
"Temos certeza de que a melhor maneira de ter eficiência e entregar um produto melhor para o cliente é olhar para essas novas tecnologias de diminuição de emissão e consumo. No fundo, isso gera preço melhor e traz competitividade", disse Natalia Marcassa, vice-presidente de Regulatório, Institucional e Comunicação da Rumo, em entrevista à EXAME em janeiro.
Travessia de animais
Onde a empresa constrói do zero, as medidas vão além. No Mato Grosso, o primeiro trecho de uma nova ferrovia já conta com viadutos vegetados para travessia de animais e mais de 2 mil passagens subterrâneas para a fauna noturna.
Na Malha Paulista, o plano é quase dobrar a capacidade de transporte até 2032 — de 40 para 70 milhões de TKU —, com investimentos em duplicação de vias e eliminação de passagens em nível, os cruzamentos onde a ferrovia intercepta ruas e avenidas.
"Eliminar esses conflitos urbanos traz melhoria na fluidez, diminui acidentes e reduz emissões de carbono, porque o trem passará de forma mais fluida", explica Marcassa.
Para 2026, o cronograma prevê seis novas pontes de dossel em São Paulo — três em Bauru, duas no Parque Estadual da Serra do Mar e uma em Cotia. "A continuidade das pesquisas de campo nos próximos anos permitirá converter os dados coletados em soluções cada vez mais eficazes para a preservação da biodiversidade no modal ferroviário", diz Tatiane.
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