Samsung enfrenta ameaça de greve histórica enquanto trabalhadores cobram fatia do boom da IA
A Samsung Electronics registrou um lucro líquido de 47,2 trilhões de wons (cerca de US$ 32,6 bilhões) no primeiro trimestre. O quadro de funcionários, entretanto, não tem compartilhado da mesma alegria: os trabalhadores mantêm seu desejo por uma participação maior na divisão de lucros.
Duas das uniões de trabalhadores da empresa se uniram para solicitar novas condições de pagamento — e não é surpresa que o ânimo tenha chegado a esse ponto. Em abril, foi noticiado que a divisão de chips da Samsung respondia por mais da metade de todo o lucro operacional do grupo. O momento transformou a empresa, na prática, em uma companhia de infraestrutura de IA. Os trabalhadores, que já iniciaram protestos ao redor de Pyeongtaek, na Coreia do Sul, agora querem 15% em distribuição de lucro por cada divisão, além de um reajuste salarial de 7%. Caso os pedidos não sejam atendidos, os funcionários alertaram novamente para uma greve de 18 dias que terá início em 21 de maio deste ano.
Em resposta, a multinacional ofereceu 13% do lucro operacional como parte de um bônus, disse uma fonte ouvida pelo Financial Times. A Samsung atravessa um momento de recuperação importante: após perder espaço para a SK Hynix no segmento de chips HBM, essenciais para os processadores de IA da Nvidia, a empresa apostou na entrega comercial da próxima geração de memórias HBM4 e foi a primeira a colocá-los nas mãos de clientes.
Em janeiro, a Samsung estava na fase final do processo de certificação da Nvidia para o HBM4, preparando-se para iniciar a produção em massa. Uma greve agora comprometeria justamente esse esforço de retomada, que já estava comprometido pelas comparações internas com os benefícios para trabalhadores da SK Hynix.
Funcionários da Samsung querem mudança em valorização interna
Um dos motivos de insatisfação é que a concorrente firmou um acordo que destina 10% do lucro operacional aos seus funcionários pelos próximos dez anos. A SK Hynix deve concentrar 54% do mercado global de HBM4 em 2026, com a Samsung em segundo lugar, com 28%. Essa é uma lacuna que os trabalhadores conhecem bem e usam como argumento para pressionar por melhores condições.
Há ainda uma tensão estrutural por trás do conflito. Ao contrário da Hynix, que é uma chipmaker pura, a Samsung opera também nas divisões de smartphones, televisores e eletrodomésticos — segmentos pressionados justamente pelos preços elevados dos chips que enriquecem o braço de semicondutores. A filosofia corporativa de "Uma Samsung", que prega a cooperação entre as divisões, começa a rachar diante dessa assimetria. Uma das uniões menores, formada majoritariamente por trabalhadores das divisões de consumo, já abandonou o movimento conjunto.
Por ora, a Samsung tenta equilibrar o recorde histórico nas finanças com uma crise que, se mal gerida, pode custar muito mais do que qualquer bônus em disputa.
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