'Sem queda dos juros, mercado de crédito pode ruir', diz especialista da Mirae

Por Clara Assunção 26 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Sem queda dos juros, mercado de crédito pode ruir', diz especialista da Mirae

Para Renan Schroeder, head de varejo da Mirae Asset Brasil, a manutenção dos juros em um patamar elevado no Brasil, acima de dois dígitos, pode levar o mercado de crédito a um ponto de ruptura. Em conversa com jornalistas nesta terça-feira, 26, o especialista em assessoria de investimentos, canais digitais e estratégias comerciais afirmou que a economia doméstica já "não comporta juros altos por muito mais tempo", o que aumenta a pressão por uma redução da taxa básica.

Segundo Schroeder, a manutenção da Selic em níveis elevados afeta diretamente a relação entre credores e devedores, reduzindo a capacidade de tomada de crédito no país.

"Existe um ponto que, se isso não acontecer [a continuidade da queda dos juros], o mercado de crédito no Brasil vai ruir. Isso é algo que a maioria dos economistas está apostando", afirmou o executivo. "O credor e o devedor já não conseguem mais se comunicar devido a essa taxa de juros tão alta".

A fala ocorre em um momento em que o mercado monitora os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom), que volta a se reuir nos dias 16 e 17 de junho.

Desde fevereiro de 2022, a taxa básica de juros está em dois dígitos ao passar de 9,25% para 10,75% ao ano na primeira reunião daquele ano. Desde então, a Selic foi aumentando até atingir em julho do ano passado o patamar de 15% ao ano, o maior nível desde 2006.

Em março, porém, o Banco Central iniciou o ciclo de cortes, reduzindo a taxa de 15% para 14,75% ao ano. Em abril, houve novo corte, para 14,50% ao ano. Ainda assim, o cenário segue cercado de incertezas diante das pressões inflacionárias e da instabilidade no cenário internacional, agravada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã que, na próxima quinta, 28, completa três meses.

Na avaliação de Schroeder, a redução dos juros é essencial para destravar o mercado de renda variável no Brasil. O executivo relembrou o movimento observado entre 2018 e 2019, quando a queda da Selic impulsionou o interesse dos investidores pela bolsa, fundos imobiliários e ativos de maior risco.

"Quando os juros começaram a caminhar para 2% e 3%, todo mundo começou a comprar bolsa", disse. "Foi quando ações tiveram crescimentos astronômicos e os fundos imobiliários ficaram muito atrativos".

Desafio é transformar educação financeira em engajamento

Apesar de reconhecer que o investidor brasileiro ainda tem forte preferência por aplicações conservadoras, Schroeder afirmou que existe espaço para ampliação da base de investidores pessoa física na bolsa brasileira. Segundo ele, o principal desafio da B3 hoje é justamente transformar educação financeira em engajamento.

"O Brasil é um país de renda fixa, mas há espaço para crescer. Se a gente chegar a 20 milhões de CPFs na bolsa, já seria quatro vezes o que existe hoje", afirmou.

Durante a conversa, os executivos da corretora sul-coreana também discutiram o avanço das bolsas e corretoras internacionais sobre o investidor brasileiro ao comentar sobre o mercado de day trade.

Na avaliação de Schroeder, a B3 enfrenta dificuldades para competir com mercados mais líquidos e maduros, como o americano, ao mesmo tempo em que tenta desenvolver novos produtos e estratégias para evitar a migração de traders para plataformas estrangeiras.

O debate ocorreu em meio às discussões sobre a entrada da B3 em produtos ligados ao mercado americano, como contratos futuros do S&P 500, e à expansão de operações envolvendo criptomoedas e ETFs. Segundo os executivos, a concorrência internacional pressiona a bolsa brasileira a investir em novos mecanismos de retenção de investidores e em ações de educação financeira.

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