Sem sair do Brasil, alunos da Saint Paul têm aula com professora internacional por uma semana
Enquanto milhares de estudantes brasileiros enxergam o intercâmbio internacional como único caminho para acessar uma formação global, alunos da graduação em Administração da Saint Paul vivem uma experiência diferente: a internacionalização dentro da própria sala de aula, sem sair do Brasil.
Nesta semana, a instituição recebeu a professora Bianca Schmidtz, da ESMT Berlin Business School, uma das escolas de negócios mais reconhecidas da Alemanha, para uma imersão acadêmica focada em inovação, tomada de decisão e liderança empresarial.
Durante toda a semana, os estudantes participam de diversas dinâmicas, entre elas, uma competição empresarial baseada em um business game, metodologia utilizada em escolas internacionais para simular decisões estratégicas dentro de grandes companhias. Divididos em grupos, os alunos assumem o papel de executivos responsáveis por áreas como finanças, recursos humanos, marketing e inovação, tomando decisões em tempo real para competir entre si.
Bianca Schmidtz, que atua como professora e pesquisadora no centro Bringing Technology to Market, da ESMT Berlin, afirmou que a experiência no Brasil tem sido marcada pelo engajamento e curiosidade dos estudantes.
Uma experiência internacional aplicada na prática
Segundo Bianca, o objetivo da metodologia não é apenas transmitir teoria, mas criar situações práticas capazes de aproximar os estudantes da realidade corporativa.
“A gente começou imediatamente com uma simulação de negócios supercomplexa. Eles precisam trabalhar nisso ao longo da semana inteira”, afirmou a professora durante a entrevista.
A dinâmica exige respostas rápidas, pensamento analítico e decisões estratégicas em grupo — competências cada vez mais valorizadas em empresas globais. Ao longo da semana, os alunos precisam interpretar cenários, lidar com indicadores financeiros, projetar impactos organizacionais e defender decisões diante dos colegas.
Na sexta-feira, a experiência culmina em uma simulação de reunião com acionistas. Os estudantes apresentarão seus resultados como se fossem CEOs responsáveis pela performance de grandes empresas.
Para Bianca, esse modelo de ensino aproxima os alunos de uma lógica internacional de aprendizagem, mais centrada em discussão, aplicação prática e resolução de problemas.
“Eu tento não apenas dar aulas expositivas. Eles devem aplicar a teoria imediatamente”, explicou.
Permanecer no Brasil não significa abrir mão de uma formação global
A presença da professora alemã também pode reforçar uma discussão cada vez mais presente entre jovens universitários: é realmente necessário deixar o país para ter acesso a uma educação internacional?
Na avaliação de Bianca Schmidtz, não.
“Eu não acho que seja negativo permanecer no seu país de origem para estudar”, afirmou. “O objetivo deve ser ampliar a perspectiva deles.”
A declaração pode ganhar relevância em um cenário em que muitas instituições brasileiras passaram a investir em internacionalização acadêmica, conectando alunos a professores estrangeiros, metodologias internacionais e experiências multiculturais sem a necessidade de uma graduação fora do país.
Para os estudantes, o contato com uma professora de uma business school europeia representa acesso direto a diferentes formas de pensamento e gestão empresarial.
Bianca destacou ainda que percebeu nos alunos brasileiros um forte senso de comunidade e conexão entre eles — algo que, segundo ela, não é tão comum em seu campus na Alemanha.
“Você percebe que eles se conhecem muito bem. E eu adoro que eles também fiquem aqui convivendo”, comentou.
Business game aproxima alunos da realidade dos CEOs
A experiência prática foi um dos pontos mais destacados pelos alunos participantes da semana internacional.
Lucas Lico, estudante da graduação em Administração da Saint Paul, contou que o business game transforma a dinâmica da sala de aula em uma competição empresarial realista.
“Ela divide os alunos em grupos de empresas consolidadas no mercado. O meu grupo, por exemplo, ficou com a Jeep. E a gente compete entre si para ver quem consegue tomar as melhores decisões dentro da empresa”, explicou.
Segundo ele, os participantes precisam lidar simultaneamente com diferentes áreas corporativas, simulando os desafios enfrentados diariamente por executivos.
“Temos que lidar com RH, finanças, marketing e várias outras áreas. Isso é muito legal porque a gente consegue realmente viver na prática”, afirmou.
A estudante Ligia Silva também destacou o impacto da atividade. Em depoimento, ela ressaltou que a simulação permitiu desenvolver uma visão mais estratégica para futuras tomadas de decisão.
Quem é Bianca Schmidtz
Com mais de 15 anos de atuação na ESMT Berlin, Bianca Schmidtz reúne experiência acadêmica, pesquisa e desenvolvimento executivo internacional. Atualmente, ela é professora da instituição e integrante do centro Bringing Technology to Market, voltado ao estudo de estratégias de empresas industriais globais.
Além disso, atua como diretora do Hidden Champions Institute, iniciativa dedicada ao desenvolvimento de empresas líderes em nichos específicos de mercado. Sua trajetória inclui ainda programas executivos internacionais, liderança acadêmica e formação complementar na Harvard Business School, onde participou do Global Colloquium of Participant-Centred Learning.
A vinda da professora para o Brasil representa não apenas um intercâmbio de conhecimento, mas também um movimento crescente de aproximação entre universidades brasileiras e escolas internacionais de negócios.
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