Serasa chega a 100 milhões de brasileiros em sua base — e vira plataforma de crédito

Por Leo Branco 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Serasa chega a 100 milhões de brasileiros em sua base — e vira plataforma de crédito

Poucas empresas no Brasil concentram tantos dados sobre a vida financeira da população quanto a Serasa. Criada no fim dos anos 1960 para ajudar bancos a avaliar o risco de crédito, a companhia acaba de atingir a marca de 100 milhões de brasileiros cadastrados em sua base.

Esse número representa pessoas que usam os serviços da empresa para consultar CPF, negociar dívidas, buscar crédito ou acompanhar sua situação financeira. A base cresceu com a expansão do aplicativo da companhia. Em 2018, eram cerca de 25 milhões de usuários. Em 2024, o número chegou a 80 milhões. Agora, alcança os 100 milhões.

Hoje a Serasa é parte da Experian, empresa global de dados e tecnologia com sede corporativa em Dublin e listada na Bolsa de Londres. Dentro desse grupo, o Brasil se tornou a segunda maior operação do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Para Valdemir Bertolo, presidente da Serasa Experian, a expansão da base reflete mudanças recentes no sistema financeiro brasileiro.

“Chegar a 100 milhões de brasileiros cadastrados mostra como a relação das pessoas com o crédito e com os dados financeiros mudou nos últimos anos”, diz o executivo.

De banco de dados a aplicativo financeiro

A Serasa foi criada há mais de 57 anos a partir de uma iniciativa do sistema bancário brasileiro. O objetivo inicial era construir um banco de dados que ajudasse instituições financeiras a avaliar a capacidade de pagamento de pessoas e empresas.

Durante décadas, a empresa funcionou principalmente como um birô de crédito, vendendo informações para bancos e varejistas que precisavam decidir se concediam crédito ou vendas parceladas.

Essa atuação mudou nos últimos anos. A partir de 2017, a empresa passou a investir em serviços voltados diretamente ao consumidor.

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O primeiro passo foi o lançamento do Score, indicador que mostra a probabilidade de uma pessoa pagar suas contas em dia. A ferramenta atraiu usuários para a plataforma e ampliou o contato direto da empresa com o público.

Naquele momento, a base tinha cerca de 5 milhões de cadastros. Em pouco mais de um ano, chegou a 25 milhões.

Segundo Bertolo, essa mudança marcou uma nova fase da companhia.

“A Serasa nasceu como um birô de crédito voltado ao sistema bancário. Ao longo do tempo ampliamos o papel da empresa para criar um ecossistema digital que conecta consumidores, bancos e empresas”, afirma.

A plataforma que conecta dívidas, crédito e contas

Com o aumento da base de usuários, a Serasa passou a reunir vários serviços dentro do mesmo aplicativo.

Um dos principais é o Serasa Limpa Nome, plataforma de renegociação de dívidas que conecta consumidores e empresas credoras para acordos de pagamento.

Em momentos específicos, como os feirões organizados pela empresa, os descontos podem chegar a 99%. No início de 2026, o Brasil tinha 81,3 milhões de pessoas inadimplentes, com 327 milhões de dívidas que somavam 524 bilhões de reais.

Além da negociação de dívidas, a plataforma reúne outros serviços. Entre eles estão:

Segundo Pedro Dias Lopes, vice-presidente de consumer market da Serasa, a ideia é concentrar diferentes etapas da vida financeira no mesmo ambiente digital.

“A jornada foi pensada para ajudar a pessoa a negociar e pagar sua dívida. No momento em que ela paga, o score é atualizado e o consumidor já pode receber novas ofertas de crédito dentro da própria plataforma”, afirma.

Hoje o aplicativo registra entre 25 milhões e 30 milhões de usuários únicos por mês.

Como a empresa ganha dinheiro

O acesso à plataforma é gratuito para o consumidor. A empresa ganha dinheiro principalmente quando uma transação acontece dentro do ambiente digital.

No modelo voltado ao consumidor, cerca de 80% da receita vem de comissões sobre operações realizadas na plataforma.

Essas comissões podem ser cobradas quando:

Os outros 20% da receita vêm de um serviço de assinatura de proteção ao crédito, que reúne cerca de 700 mil assinantes.

“A maior parte da receita vem das transações realizadas dentro da plataforma. Quando uma dívida é paga ou um empréstimo é contratado, recebemos uma comissão vinculada à operação”, diz Lopes.

Serviços para bancos, varejo e empresas

Além do contato direto com consumidores, a empresa mantém uma grande operação voltada a empresas e instituições financeiras.

Bancos, financeiras e varejistas utilizam sistemas da Serasa para avaliar pedidos de crédito, verificar identidade de clientes e analisar risco de inadimplência.

A empresa estima participar de cerca de 70% dos processos de concessão de crédito no país.

Esse trabalho envolve uma grande infraestrutura de dados. A companhia realiza 6,5 milhões de consultas por dia sobre consumidores e empresas e protege 2,2 bilhões de transações comerciais por ano.

Nos últimos anos, a empresa ampliou essa área com aquisições voltadas à prevenção a fraudes, como ClearSale, BR Scan e AllowMe.

Hoje a operação brasileira se tornou a maior da Experian no mundo na área de prevenção a fraudes.

A operação brasileira dentro da Experian

A Serasa passou a fazer parte da Experian em 2007, quando a empresa global comprou participação no negócio.

A Experian atua em 32 países e possui cerca de 22.500 funcionários.

No primeiro semestre do ano fiscal de 2026, encerrado em setembro de 2025, a companhia registrou 4,058 bilhões de dólares em receita global, crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na América Latina, região que inclui o Brasil, a receita cresceu 15% no período. O segmento de serviços ao consumidor teve expansão orgânica de 18%.

Novos produtos e próximos passos

Nos últimos anos, a empresa ampliou sua atuação para áreas além da análise de crédito.

Entre os lançamentos recentes está o Serasa Descomplica, ferramenta de gestão financeira voltada a pequenas e médias empresas. A plataforma reúne dados bancários por meio de Open Finance e ajuda o empreendedor a acompanhar fluxo de caixa e contas a pagar.

A empresa também prepara novas frentes para os próximos anos.

Uma delas é a criação de um marketplace de seguros, com produtos como microseguros e assistências financeiras.

Outra aposta é o crédito consignado privado, modalidade em que parcelas são descontadas diretamente do salário.

A companhia também pretende lançar uma integração do aplicativo com ChatGPT, permitindo que usuários utilizem serviços da plataforma diretamente pela inteligência artificial.

“Queremos que o consumidor consiga acessar os serviços da Serasa também por novos canais, incluindo a inteligência artificial”, afirma Lopes.

Hoje a Serasa registra 100 milhões de brasileiros cadastrados — número que coloca o país acima da base da plataforma nos Estados Unidos, onde o total varia entre 80 milhões e 90 milhões de usuários.

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