Shakira S.A.: o negócio por trás da artista que abre sua terceira Copa do Mundo
Quando a Fifa anunciou que a música oficial da Copa do Mundo de 2026 seria interpretada por Shakira e Burna Boy, muita gente enxergou apenas mais uma escolha artística. Mas a decisão revela algo maior: a colombiana se tornou uma das marcas mais valiosas da história do Mundial.
Aos 49 anos, Shakira chega à sua terceira participação em músicas oficiais da Copa. Depois do fenômeno "Waka Waka" em 2010 e de "La La La" em 2014, ela retorna em 2026 com "Dai Dai", consolidando uma relação que atravessa três décadas diferentes do torneio.
E a parceria não para por aí. A cantora também foi escolhida para comandar o show do intervalo da final da Copa do Mundo, marcada para 19 de julho no MetLife Stadium.
Mais do que uma cantora
Poucos artistas conseguem reunir alcance na América Latina, popularidade na Europa, reconhecimento nos Estados Unidos e apelo crescente em mercados emergentes. Shakira é uma das raras exceções.
Ao longo de quase três décadas de carreira, a colombiana construiu um catálogo que ultrapassa gerações, idiomas e fronteiras culturais. Ela conversa com quem assistiu à Copa de 2010, mas também com uma nova audiência que a descobriu por meio do streaming e das redes sociais.
Enquanto novos artistas podem gerar repercussão em mercados específicos, Shakira entrega reconhecimento praticamente instantâneo a nível global.
O efeito Waka Waka
Nenhuma análise sobre a relação entre Shakira e a Copa do Mundo pode ignorar o impacto de "Waka Waka (This Time for Africa)".
Lançada para o Mundial da África do Sul, a música ultrapassou o universo esportivo e se transformou em um fenômeno. Até hoje, para milhões de pessoas, a canção continua sendo a trilha sonora definitiva das Copas do Mundo.
Poucos eventos esportivos conseguiram criar uma associação tão forte entre um torneio e uma música. Na prática, "Waka Waka" se tornou um ativo permanente tanto para a Fifa quanto para a artista, gerando visualizações, reproduções em streaming e consumo contínuo, mesmo 16 anos depois de seu lançamento.
Streaming transforma nostalgia em receita
O retorno de Shakira em 2026 também reflete uma mudança importante na indústria musical. Antigamente, a música oficial da Copa dependia principalmente das vendas e da exposição na televisão. Hoje, tudo acontece nas plataformas de streaming.
Cada nova participação da artista volta a acender o interesse por suas músicas, impulsionando reproduções de sucessos antigos e criando um ciclo de consumo que beneficia gravadoras, plataformas e a própria cantora.
O anúncio de "Dai Dai" faz com que fãs voltem a escutar "Waka Waka", "La La La" e outros hits. É um efeito que transforma nostalgia em audiência e receita.
A artista que conecta continentes
Existe ainda um fator geográfico. A Copa de 2026 será disputada em três países da América do Norte, mas terá como foco comercial regiões muito além do continente.
A Fifa busca expandir ainda mais sua presença na América Latina, na África e em mercados globais de língua espanhola. Poucos nomes conseguem representar essa diversidade de forma tão natural quanto Shakira.
A parceria com Burna Boy reforça exatamente essa estratégia. Enquanto Shakira mantém a conexão histórica com o público latino e europeu, o cantor nigeriano amplia o alcance da campanha em um continente africano cada vez mais relevante para a indústria do entretenimento.
A nova rainha da Copa
A escolha para o show do intervalo da final reforça uma mensagem importante. Pela primeira vez, a Fifa está tentando transformar a decisão da Copa em um espetáculo semelhante ao modelo do Super Bowl, agregando entretenimento, música e publicidade em uma escala ainda maior.
Nesse cenário, Shakira surge como uma aposta segura. Ela já está associada emocionalmente ao torneio, possui reconhecimento mundial e entrega algo que poucas artistas conseguem oferecer: a sensação de que sua presença faz parte da própria identidade da Copa.
Em muitos aspectos, a relação entre Fifa e Shakira já ultrapassou o conceito tradicional de parceria. Assim como certos narradores ficam eternamente ligados a grandes competições, como, por exemplo, Galvão Bueno e a Copa do Mundo, ou determinadas marcas se tornam sinônimo de eventos esportivos, a cantora colombiana passou a ocupar um espaço permanente no imaginário do Mundial.
Por isso, sua terceira Copa não parece uma coincidência. É a continuação de uma estratégia que transformou uma artista em uma das pessoas mais reconhecíveis do maior evento esportivo do planeta.
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