Simpar reverte prejuízo no 4ºtri, lucra R$ 543,4 milhões e reduz alavancagem
A Simpar encerrou 2025 com melhora no lucro da holding e avanço operacional nas principais controladas, mas ainda pressionada por despesas financeiras elevadas em um ambiente de juros altos. O resultado do quarto trimestre foi impulsionado por eventos não recorrentes — especialmente a venda da Ciclus Rio — enquanto o consolidado anual mostra recuperação gradual de rentabilidade e redução da alavancagem.
No quarto trimestre, o lucro líquido da Simpar somou R$ 543,4 milhões, revertendo prejuízo de R$ 223,7 milhões um ano antes. Considerando apenas os controladores, o lucro foi de R$ 432,9 milhões. No ano de 2025, o lucro líquido totalizou R$ 212,6 milhões, alta de 126,7% na comparação anual, enquanto o lucro atribuível aos controladores ficou em R$ 39,5 milhões.
A receita líquida consolidada atingiu R$ 11,3 bilhões no 4T25, praticamente estável na comparação trimestral e com alta de 5,9% em um ano. No acumulado de 2025, chegou a R$ 43,5 bilhões, avanço de 6,8%.
Já o EBITDA consolidado somou R$ 4,06 bilhões no trimestre, crescimento de 55,4% na comparação anual. Em 2025, o indicador atingiu R$ 12,8 bilhões, alta de 24,2% e recorde histórico da companhia.
Apesar do avanço operacional, o resultado seguiu pressionado pelo custo da dívida. O resultado financeiro foi negativo em R$ 2,1 bilhões no 4T25 e em R$ 7,9 bilhões no acumulado do ano, reflexo direto do nível elevado das taxas de juros e da estrutura intensiva em capital do grupo.
A dívida líquida da holding (ex-BBC) encerrou dezembro em R$ 39,6 bilhões, praticamente estável em relação a 2024. A alavancagem caiu para 3,0 vezes dívida líquida/EBITDA, o menor patamar em 15 anos, segundo a companhia.
Controladas: Movida e Vamos puxam o EBITDA
Entre as empresas do grupo, Movida e Vamos lideraram a geração de resultado no trimestre.
A Movida registrou receita líquida de R$ 3,66 bilhões e EBITDA de R$ 1,49 bilhão, com lucro líquido de R$ 102,3 milhões no 4T25. A administração destacou que o resultado trimestral foi “o maior dos últimos 3 anos”, com crescimento de 65% na comparação anual.
A Vamos reportou receita líquida de R$ 1,48 bilhão e EBITDA de R$ 956,9 milhões, além de lucro líquido de R$ 77,7 milhões no trimestre. O desempenho foi sustentado pela venda de seminovos, cuja receita cresceu 85% e atingiu R$ 1,3 bilhão, segundo a companhia.
Na JSL, a receita líquida foi de R$ 2,45 bilhões, com EBITDA de R$ 505 milhões e lucro líquido de R$ 29,8 milhões no trimestre.
Automob segue pressionada; CS Infra cresce com base pequena
Entre os desempenhos mais fracos, a Automob registrou prejuízo líquido de R$ 61,6 milhões no trimestre, apesar de receita de R$ 3,35 bilhões e EBITDA ainda limitado, de R$ 134 milhões.
Já a CS Infra apresentou expansão relevante, mas ainda com peso reduzido no consolidado: a receita líquida de serviços cresceu 45% no ano, para R$ 283 milhões, e o EBITDA avançou 89%, para R$ 62 milhões.
A CS Brasil também teve avanço operacional, com crescimento de 44% no EBITDA em 2025, apoiado por ganhos de eficiência e novos contratos.
No BBC Digital, a carteira de crédito chegou a R$ 2,2 bilhões, alta de 17%, enquanto a receita de intermediação financeira avançou 69% no ano.
Venda da Ciclus Rio ajudou a sustentar o lucro
Parte relevante da melhora do resultado veio da monetização da Ciclus Rio, vendida por R$ 1,8 bilhão em valor de firma, operação que gerou retorno de 2 vezes o capital investido.
Sem esse efeito, o lucro teria sido negativo no trimestre e no ano, segundo a própria companhia.
Administração destaca avanço na geração de caixa
Na mensagem aos investidores, a administração afirmou que o grupo entrou em uma nova fase operacional após concluir o ciclo de expansão recente:
“Após a conclusão do ciclo de construção das bases operacionais [...] passamos a capturar de forma mais consistente os ganhos de escala, sinergias, eficiência operacional e o potencial do nosso portfólio.”
A companhia também ressaltou a melhora da estrutura de capital:
“Esses indicadores contribuem para a redução da alavancagem — a relação Dívida Líquida/EBITDA recuou de 3,6x para 3,0x no 4T25, menor nível dos últimos 15 anos.”
Segundo o grupo, a expansão da rentabilidade combinada à redução do capex marcou o início de uma fase de maior geração de caixa e captura de valor dos ativos já implantados.
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