Smartphones chineses ficam mais caros após alta dos chips de memória
Os preços dos smartphones começaram a subir na China em meio à alta global dos chips de memória e ao avanço da demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Fabricantes como OPPO, Vivo e Honor já reajustaram valores de aparelhos de entrada, intermediários e premium, enquanto analistas projetam novos aumentos até 2027. O movimento ocorre em paralelo ao redirecionamento da produção de semicondutores para aplicações de IA, o que reduz a oferta de componentes destinados à eletrônica de consumo.
O cenário também afeta as perspectivas do mercado global de celulares. A consultoria IDC projeta queda de 13% nas remessas mundiais de smartphones em 2026, o maior recuo anual já registrado pelo setor. A previsão indica maior pressão sobre aparelhos de baixo custo, segmento que enfrenta aumento de custos e margens mais apertadas.
Segundo reportagem da agência Xinhua, marcas chinesas já iniciaram reajustes coordenados. A Vivo informou que elevaria os preços de determinados produtos a partir de 18 de março devido ao aumento contínuo dos custos globais de semicondutores e memória.
Dias antes, a OPPO anunciou reajustes nas linhas A, K e nos aparelhos da OnePlus a partir de 16 de março. De acordo com lojistas, os aumentos variam entre RMB 200 e RMB 500.
A Honor também reajustou os preços. O dobrável Magic V6, lançado em 10 de março, teve as versões de 16 GB + 512 GB e 16 GB + 1 TB elevadas em RMB 1.000 em relação à geração anterior, alta próxima de 10%. Em lojas físicas, modelos como Honor 500 e X70 registraram aumentos entre RMB 300 e RMB 400.
Para especialistas, o principal fator por trás da alta está no mercado de memória. Liu Jianxin, professor associado da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Sudoeste da China, afirmou que o avanço dos custos dos chips se tornou o principal vetor de pressão sobre os preços dos smartphones.
Em 28 de fevereiro, o Centro de Monitoramento de Preços da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China informou que o mercado global de memória enfrenta aumentos contínuos desde setembro de 2025. Segundo o órgão, a combinação entre crescimento acelerado da demanda e limitação da capacidade produtiva intensificou os reajustes nos últimos meses.
O avanço da inteligência artificial ampliou a procura por memórias de alta largura de banda (HBM), utilizadas em servidores e treinamento de grandes modelos de IA. Empresas como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology passaram a priorizar a produção voltada ao setor de IA, considerado mais rentável, reduzindo a oferta de chips para smartphones e outros eletrônicos de consumo.
O desequilíbrio entre oferta e demanda também elevou os preços no mercado spot de memória desde o fim de 2025. Segundo analistas, o custo de armazenamento dos smartphones subiu entre 10% e 30%, pressionando fabricantes a reajustar preços para preservar fluxo de caixa e estabilidade da cadeia de suprimentos.
Os modelos premium concentram os maiores aumentos. Especialistas apontam que aparelhos topo de linha exigem maior capacidade de memória RAM, armazenamento interno ampliado, processadores mais avançados e recursos de inteligência artificial embarcada. Além disso, os custos de pesquisa e desenvolvimento seguem em alta.
De acordo com analistas do setor, aparelhos de entrada e intermediários tiveram reajustes entre RMB 300 e RMB 500, enquanto modelos premium registraram aumentos que chegam a RMB 1.000 ou RMB 2.000.
Liu Jianxin afirma que as fabricantes mantêm uma estratégia comercial baseada em três frentes: aparelhos baratos para ampliar participação de mercado, modelos intermediários para gerar lucro e dispositivos premium para fortalecer posicionamento de marca. Nesse contexto, reajustes maiores nos aparelhos topo de linha ajudam a compensar custos sem comprometer a competitividade dos modelos mais acessíveis.
Segundo o especialista, o ciclo de alta deve continuar ao menos até 2027. Ele avalia que a expansão da capacidade produtiva de chips de memória leva entre um e dois anos, enquanto os investimentos globais em inteligência artificial e data centers seguem avançando. Esse cenário tende a sustentar a demanda por memórias de alto desempenho nos próximos anos.
Além disso, fabricantes chinesas de smartphones operam com margens reduzidas e alta dependência dos chips de memória em sua estrutura de custos. Algumas empresas já trabalham com a possibilidade de novos reajustes dinâmicos nos próximos anos.
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