Snap demite 1 mil funcionários em reestruturação que visa economizar US$ 500 milhões
A Snap, empresa por trás do Snapchat, anunciou nesta quarta-feira, 15, o corte de aproximadamente mil funcionários em regime de trabalho integral. O número é equivalente a 16% do quadro global da empresa. A decisão foi comunicada pelo CEO Evan Spiegel em um comunicado interno obtido pela Bloomberg, que ainda confirma o encerramento de mais de 300 vagas que estavam em aberto.
Segundo Spiegel, a medida é necessária para que a empresa avance em direção à lucratividade com mais agilidade. O executivo afirmou que os avanços recentes em inteligência artificial permitem que times menores entreguem mais. O texto enviado pelo CEO também relaciona a redução de pessoal e o temporário freio nas contratações a uma provável redução na base anualizada de custos da companhia. Com a mudança, as expectativas são de uma redução de US$ 500 milhões até o segundo semestre deste ano.
“Ao longo dos últimos meses, analisamos cuidadosamente o trabalho necessário para melhor servir nossa comunidade e nossos parceiros, e tomamos decisões difíceis para priorizar os investimentos que acreditamos ter maior probabilidade de gerar valor a longo prazo", disse Spiegel em nota.
Os mercados reagiram positivamente: as ações da Snap subiram quase 11% no pregão. Ainda assim, o papel acumula queda de aproximadamente 31% no ano, pressionado por dificuldades no crescimento de usuários e resultados mistos na reformulação do negócio de publicidade. No primeiro trimestre, a empresa estima crescimento de receita em 12%, atingindo US$ 1,53 bilhão. O EBITDA ajustado ficou em torno de US$ 233 milhões no período.
Snap é mais uma gigante a passar por reformulação em prol de IA
A Snap não é a única empresa de tecnologia nessa situação. A rival Meta eliminou centenas de cargos a nível global em março e cerca de mil trabalhadores da divisão Reality Labs em janeiro. Tudo isso ocorre enquanto a dona do Facebook acelera investimentos em IA, incluindo um modelo generativo que simula ações do próprio Zuckerberg.
Assim como os concorrentes, Spiegel também citou a nova tecnologia do momento como parte da justificativa para os cortes desta semana. A empresa tem um histórico recente de reestruturações: cortou cerca de 20% do quadro em 2022 após uma desaceleração nas receitas de publicidade e outros 10% em 2024.
Enquanto isso, o executivo da Snap trabalha para consolidar uma visão de longo prazo centrada em óculos de realidade aumentada, produto que a empresa pretende lançar ainda este ano. No campo de IA, porém, a empresa ainda depende fortemente de fornecedores externos para ter acesso a equipamentos de alto nível. Essa é uma diferença relevante em relação a rivais maiores que investem bilhões para desenvolver infraestrutura própria.
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