Sócio do BTG vê ‘atualização’ do sistema financeiro para blockchain em 10 anos
Nas últimas décadas, as finanças deixaram de utilizar sistemas analógicos em papel para se tornar cada vez mais digitais. No entanto, ainda não alcançamos todo este potencial e, para isso, uma “atualização” para blockchain pode ser necessária.
Durante o evento “O Futuro da Indústria Financeira”, organizado por BTG Pactual e Chainalysis em São Paulo, executivos de ambas as empresas discutiram o cenário atual da tecnologia blockchain e da regulação de ativos virtuais.
André Portilho, sócio e head de Digital Assets no BTG, revelou acreditar que hoje em dia o dinheiro “nada mais é que uma base de dados” e que poderá passar por uma atualização nos próximos anos.
O executivo citou como nas últimas décadas a evolução do mercado financeiro foi muito maior graças à digitalização. “Saímos de uma indústria completamente analógica, com ações em papel, para uma indústria 100% digital”.
Apesar disso, Portilho mencionou como os sistemas atuais ainda funcionam de forma individual e a comunicação não necessariamente é sem atrito.
Dinheiro é “base de dados” que será atualizada
“No final das contas, o dinheiro hoje em dia nada mais é do que dados. A partir do momento em que a tecnologia blockchain começar a entrar nessa indústria, ela faz com que o dinheiro se torne mais eficiente, mais rápido e mais seguro”, disse André Portilho durante um painel no evento “O Futuro da Indústria Financeira”.
“Evidentemente que para isso você precisa de regulação, que é o que vem acontecendo nos últimos anos. Por isso, é muito claro para nós que além da tecnologia estar achando seu lugar certo no mercado, teremos uma aceleração deste movimento causada pelo avanço na regulação”, acrescentou.
“Com isso, culminamos em um movimento que nada mais é do que a troca da infraestrutura financeira. Toda essa infraestrutura que foi trocada com a digitalização dos últimos 30 ou 40 anos, será trocada novamente, e isso deve acontecer ainda mais rápido, entre 5 a 10 anos”, concluiu o executivo.
A regulação como motor de avanço
Durante sua apresentação no evento “O futuro da indústria financeira”, Lucas Rangel, diretor de ativos digitais no BTG Pactual, apontou que o cenário regulatório de cripto no Brasil avançou com a lei 14.478 em 2022, o “Marco Legal dos Criptoativos”, as CPs 109, 110 e 111 em 2024, que foram o esboço do arcabouço regulatório e finalmente em 2025 com as resoluções 519, 520 e 521, que serviram como o arcabouço regulatório definitivo das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).
Lucas Rangel, diretor de ativos digitais no BTG Pactual. (Heitor Pinheiro/Divulgação)
Sobre as resoluções de 2025, Rangel explicou no detalhe seus propósitos:
Para Rangel, o cenário regulatório de cripto atual no Brasil impacta o mercado em sua estrutura. O executivo citou três pontos centrais:
“O primeiro é a clareza regulatória que cresce com a definição das exigências para as instituições autorizadas pelo Banco Central e delimitação do rol de atividades de cada participante”, disse.
“Em segundo, a maturidade do ecossistema cripto evolui quando há mais presibilidade e segurança para atuação no mercado, com a redução de riscos sistêmicos e proteção para o investidor final”, acrescentou.
“Já o terceiro ponto são as oportunidades para players tradicionais que surgem a partir do momento em que se abre espaço para integrar cripto ao portfólio de produtos e serviços oferecidos”, concluiu Lucas Rangel, do BTG Pactual.
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