S&P 500 e Nasdaq batem recorde com aposta no fim da guerra
O S&P 500 atingiu uma nova máxima histórica nesta quarta-feira, 15, diante de um maior apetite por risco com a expectativa de redução das tensões geopolíticas e de uma temporada forte de resultados corporativos. O indicador subiu 0,80%, aos 7.022,89 pontos, fechando acima do nível de 7 mil pontos pela primeira vez na história.
O Nasdaq também avançou 1,59%, aos 24.016,017 pontos, alcançando a marca inédita de 24 mil pontos. Enquanto que, na contramão, o índice Dow Jones teve queda de 0,15%, aos 48.463,72 pontos.
O S&P já havia recuperado as perdas acumuladas desde o início da guerra e agora opera quase 2% acima do nível observado antes do começo dos confrontos, no fim de fevereiro.
O índice acumula alta superior a 2% nesta semana e caminha para o terceiro avanço semanal consecutivo — sequência que não era observada após outubro. Além disso, desde 30 de março, quando atingiu o ponto mais baixo da recente onda de vendas, o índice já subiu 12%, de acordo com o The New York Times.
O movimento marca uma mudança relevante no posicionamento dos investidores. Mesmo com a guerra ainda em curso, o mercado passou a precificar um cenário de escalada limitada no curto prazo — leitura reforçada pelas sinalizações diplomáticas recentes.
O presidente Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã para encerrar o conflito podem ser retomadas em breve e resultar em um acordo, após o fracasso das conversas realizadas no fim de semana no Paquistão.
Recuperação após choque inicial do conflito
Quando as hostilidades começaram, em 28 de fevereiro, os mercados reagiram com forte aversão ao risco. Dados da Reuters apontam que o S&P 500 chegou a cair até 9%, enquanto o choque no petróleo reacendeu preocupações com inflação e trajetória de juros nos EUA.
Outros índices chegaram a confirmar correção no período. O Nasdaq Composite e o Dow Jones Industrial Average recuaram mais de 10% em relação às máximas recentes.
Agora, a percepção de risco geopolítico diminuiu parcialmente e abriu espaço para a recomposição das posições em ativos de risco. “O mercado está operando supondo que já vimos o pior do conflito”, disse Stefano Pascale, analista de ações do Barclays, para o NY Times.
A recuperação recente se espalhou pelo mercado norte-americano: mais de 80% das empresas do S&P 500 já valem mais do que no fim de março, segundo o NY Times. O Russell 2000, índice que reúne companhias menores e mais sensíveis ao ciclo econômico, avançou mais de 12% desde 30 de março e iniciou o pregão desta quarta-feira apenas 0,5% abaixo de seu recorde histórico de janeiro.
Apesar do movimento positivo, analistas seguem alertando para riscos relevantes no cenário. Conforme divulgado pelo NY Times, o Bank of America afirmou que as ações norte-americanas ainda enfrentam “riscos de cauda dupla”, especialmente caso o conflito volte a escalar. “O risco óbvio é que ainda não tenhamos visto o pior do conflito”, disse Pascale ao jornal.
Temporada de resultados sustenta o rali
Outro fator relevante por trás da recuperação recente é a expectativa de uma temporada sólida de balanços corporativos. De acordo com a Reuters, executivos de grandes bancos afirmaram que o consumidor norte-americano permanece resiliente e que o fluxo de negócios e de IPOs segue robusto, apesar do choque provocado pela alta do petróleo.
Segundo dados compilados pela LSEG e divulgados pela agência, analistas projetam que as empresas do S&P 500 devem registrar US$ 605,1 bilhões em lucros no primeiro trimestre, acima dos US$ 598,7 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior.
Já o The New York Times destaca a expectativa de um sexto trimestre consecutivo de crescimento de lucros em dois dígitos — o que pode configurar a melhor temporada de resultados em cerca de cinco anos e ajudar a sustentar os níveis de avaliação das empresas após a volatilidade observada em março.
Com a melhora das projeções, diversas corretoras passaram a interpretar a queda recente das bolsas como uma oportunidade de compra, já que o conflito reduziu temporariamente os valuations das ações.
“Como os lucros corporativos são o principal motor dos retornos das ações, esse nível de crescimento firme dos ganhos é um sinal incrivelmente positivo, dado que o mercado foi castigado no primeiro trimestre pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que levou os preços do petróleo a dispararem para alguns dos níveis mais altos em décadas”, disse Hardika Singh, estrategista da Fundstrat, ao jornal.
Entre os destaques da temporada, o JPMorgan Chase reportou lucro de US$ 17 bilhões no primeiro trimestre, acima das estimativas. O banco reduziu levemente sua projeção anual, mas ainda espera resultados superiores a US$ 100 bilhões em 2025. Conforme divulgado pelo NY Times, executivos destacaram preocupação com o impacto dos custos de energia sobre os consumidores, mas ressaltaram que o mercado de trabalho permanece sólido.
Outras instituições, como Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America, também divulgaram resultados robustos nesta semana.
Riscos ainda permanecem no radar
Apesar da recuperação, o cenário segue dependente da evolução geopolítica. Uma nova escalada do conflito poderia testar novamente a confiança dos investidores. Segundo o NY Times, parte dos analistas considera a reação dos mercados otimista demais diante do cenário ainda incerto no mercado de energia.
O Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa parcela relevante do petróleo global — permanece com circulação restrita. Mesmo com um eventual acordo formal de paz, especialistas avaliam que a normalização logística pode levar tempo, com impactos persistentes sobre portos e infraestrutura energética. A alta dos preços de petróleo e gás já vem pressionando a inflação nos Estados Unidos e afetando a confiança do consumidor.
Nesta terça-feira, 14, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que interrupções prolongadas no mercado de energia podem desacelerar o crescimento global, elevar a inflação e aumentar o risco de recessão.
Ainda que os riscos ligados à guerra diminuam, outras preocupações que já estavam presentes antes do início das hostilidades tendem a voltar ao foco do mercado — especialmente incertezas relacionadas ao impacto econômico da inteligência artificial sobre empresas e setores.
Além disso, cresce a atenção sobre o segmento de crédito privado, em que gestores relatam aumento do risco de resgates diante da postura mais cautelosa de investidores, de acordo com a Reuters.
Ainda assim, o fato de o S&P 500 renovar máximas históricas em meio a um conflito ativo reforça a leitura predominante no mercado: no curto prazo, investidores voltaram a priorizar fundamentos corporativos e perspectivas de lucros — mesmo com a geopolítica ainda no radar.
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