SpaceX envolve até 21 bancos no possível maior IPO da história — e um deles é brasileiro

Por Tamires Vitorio 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
SpaceX envolve até 21 bancos no possível maior IPO da história — e um deles é brasileiro

A SpaceX, empresa de exploração espacial do homem mais rico do mundo, Elon Musk, está em contato com ao menos 21 bancos a caminho do que pode ser a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da história.

A listagem, segundo a Reuters, é chamada de Projeto Apex internamente e é uma das maiores expectativas de Wall Street para o ano. O IPO, que deve acontecer em junho, deve fazer a empresa ser avaliada em US$ 1,75 trilhão.

Relatos indicam que a captação na abertura deve ser superior a US$ 75 bilhões, com uma possível listagem em 2026.

Se confirmados, os valores colocam a operação em rota direta para superar o recorde histórico da Saudi Aramco, que levantou cerca de US$ 29 bilhões em 2019.

Segundo a Reuters, Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup atuam como coordenadores líderes da oferta, que pediram para não serem identificadas porque o processo não é público. Outros 16 bancos aderiram em papéis menores, acrescentaram.

Alguns dos bancos, segundo a Reuters, são:

Allen & Co

BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME)

Deutsche Bank

Needham & Co

Raymond James

Royal Bank of Canada

Societe Generale

Banco Santander

Wells Fargo

William Blair

Um IPO que deixou de ser hipótese

Durante anos, Musk resistiu à ideia de abrir o capital da SpaceX. O argumento central era a incompatibilidade entre a pressão por resultados trimestrais e projetos de longo prazo, como Starship e colonização de Marte.

Esse posicionamento mudou a partir de 2025. O crescimento da Starlink, a expansão para novos mercados e a necessidade de capital intensivo para infraestrutura — incluindo projetos ligados à inteligência artificial — aceleraram a preparação para o IPO.

O avanço mais recente indica uma mudança da fase de planejamento para a de execução. O protocolo junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês), ainda que confidencial, marca o início formal do processo.

O tamanho da ambição

As estimativas de mercado convergem para um valuation entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,75 trilhão.

Em paralelo, os valores de captação variam. Projeções iniciais falavam em mais de US$ 30 bilhões. Cenários mais recentes elevam esse número para algo entre US$ 50 bilhões e mais de US$ 75 bilhões.

A variação reflete incertezas sobre o percentual de ações ofertadas. Uma operação desse porte pode envolver apenas uma pequena fração da empresa, mantendo controle concentrado e maximizando o valor total.

Mais que foguetes: o papel da Starlink

A análise de mercado aponta que o IPO não é apenas sobre lançamentos espaciais. O principal vetor de receita é a Starlink, serviço global de internet via satélite.

Dados indicam que a divisão já representa a maior parte da receita da empresa e pode chegar a cerca de três quartos do total nos próximos anos.

O modelo combina receita recorrente, expansão global e aplicações em múltiplos segmentos, como aviação, setor marítimo e governos. Esse perfil aproxima a operação de uma empresa de telecomunicações com escala global.

Capital para sustentar expansão

O IPO também é visto como instrumento para financiar projetos de alto custo.

Entre os principais destinos do capital estão a expansão da constelação de satélites, o desenvolvimento do Starship e iniciativas ligadas a data centers e inteligência artificial.

A integração com a xAI reforça esse direcionamento. A combinação de infraestrutura espacial e processamento de dados amplia o escopo da empresa para além do setor aeroespacial.

Reação antecipada do mercado

Mesmo antes da abertura formal, o mercado já reage.

Empresas com participação na SpaceX registraram alta após os relatos sobre o IPO. A EchoStar subiu mais de 6%, enquanto a Alphabet avançou mais de 1%.

Outras companhias do setor espacial também tiveram valorização, refletindo o efeito indireto da operação sobre o ecossistema.

Riscos e incertezas ainda no radar

Apesar do avanço, o IPO não está garantido.

A própria empresa sinalizou internamente que o cronograma depende de condições de mercado e execução. Questões como valuation final, estrutura de governança e percentual de ações ofertadas permanecem indefinidas.

Há também riscos operacionais. Projetos como o Starship e novas aplicações da Starlink envolvem alto investimento e ainda estão em fase de desenvolvimento.

O IPO da SpaceX reúne características incomuns: escala trilionária, múltiplos negócios e forte dependência de execução futura. Além de, é claro, uma capacidade espacial.

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