Starian acelera integração do Runrun.it após alta de 30% e mira R$ 780 milhões em 2026
A incorporação do Runrun.it pela Starian, empresa catarinense que é um braço da Softplan para a criação de SaaS ao mercado privado, começa a mostrar resultados.
Até aqui, os fundadores do Runrun.it permaneceram à frente da operação. Com a incorporação efetiva à Starian, eles deixam a gestão operacional do negócio, que passa a ser liderado por Marcelo Ferreira, responsável pela vertical de Eficiência Operacional do grupo e pela condução da estratégia de expansão e inteligência artificial da plataforma.
A estratégia inclui ampliar vendas para a base de clientes do grupo e transformar o Runrun.it de uma ferramenta de gestão em uma plataforma que também executa parte das atividades por meio de agentes de inteligência artificial.
“Deixamos de ser só um software de gestão para ser também uma fábrica de agentes especialistas”, afirma Marcelo Ferreira, diretor executivo da unidade de eficiência operacional da Starian.
Em 2025, a Starian recebeu a General Atlantic como sócia para acelerar a expansão da operação voltada ao mercado privado.
Com a integração, a companhia projeta alcançar 25 mil clientes na América Latina e atingir R$ 780 milhões em receita operacional líquida em 2026.
Da aquisição à integração
O Runrun.it foi adquirido pela então operação privada da Softplan no fim de 2024. No ano seguinte, o grupo passou por uma reorganização que separou as operações pública e privada. A divisão voltada ao mercado corporativo passou a operar sob a marca Starian.
Segundo Ferreira, a aquisição ocorreu dentro de uma estratégia de expansão por ecossistemas. A companhia busca empresas que complementam etapas da jornada dos clientes e ampliam a oferta de soluções dentro das quatro verticais em que atua: construção, inteligência legal, governança e compliance e eficiência operacional.
No caso do Runrun.it, a complementaridade veio da integração com o Checklist Fácil, software da mesma unidade focado em padronização de processos, auditorias e inspeções.
Na prática, enquanto o Checklist Fácil identifica problemas operacionais e não conformidades, o Runrun.it passa a acompanhar a execução dos planos de ação necessários para corrigir essas falhas.
Após a aquisição, o Runrun.it passou cerca de um ano em um modelo de integração gradual. Os fundadores permaneceram à frente da operação enquanto a empresa começava a acessar a infraestrutura, o conhecimento e a base de clientes da Starian.
Segundo Ferreira, esse período permitiu ajustes na estratégia comercial e maior foco no mercado corporativo, movimento que contribuiu para o avanço de 30% da receita desde a compra.
“A empresa trabalhou de forma independente esse último ano. Claro que já muito conectada com a gente, muito ligada em todos os sentidos, mas a incorporação efetiva acontece agora em junho de 2026”, afirma Ferreira.
Crescimento passa pela base de clientes
Além da evolução tecnológica, a Starian vê espaço para expansão dentro da própria carteira.
O grupo projeta alcançar 25 mil clientes na América Latina em 2026. A estratégia passa por ampliar a venda de soluções para clientes já atendidos por outras empresas do grupo, especialmente à medida que novos agentes especializados forem lançados.
“À medida que ampliamos nosso portfólio de agentes, cresce também o potencial dentro da nossa base de clientes. Já temos campanhas previstas para este ano para incentivar a adoção dessas soluções”, afirma Ferreira.
A expectativa é que os recursos de IA também aumentem o valor médio dos contratos. A empresa projeta elevar o tíquete médio entre 15% e 20%.
A aposta em agentes especialistas de IA
A principal aposta da nova fase está na inteligência artificial.
Em abril, o Runrun.it lançou seus primeiros agentes de IA nativos, voltados para processos de marketing. Eles automatizam etapas como construção de briefings e organização de campanhas, utilizando informações e regras definidas pelas próprias empresas.
A proposta é diferente dos assistentes genéricos disponíveis no mercado. O foco está em agentes treinados para funções específicas e integrados aos fluxos de trabalho já existentes dentro da plataforma.
Segundo ele, a ideia é que a IA deixe de apenas apoiar atividades e passe a executar tarefas operacionais dentro dos processos corporativos, mantendo a validação final sob responsabilidade humana.
A estratégia da empresa é ampliar o número de agentes especializados ao longo dos próximos meses. Depois do lançamento das ferramentas voltadas para marketing, novas áreas já estão sendo avaliadas.
“Não adianta ser um agente genérico. Você tem que ser um especialista de marketing. Tem que ter lá todo o conhecimento de um especialista de marketing para ser um agente efetivo”, afirma Ferreira.
Adoção rápida e ganhos de produtividade
A adoção inicial chamou a atenção da empresa. De acordo com Ferreira, em um mês, cerca de 14% da base do Runrun.it já utiliza o agente de IA de forma efetiva. Isso representa aproximadamente 160 clientes entre os cerca de 1.200 atendidos pela plataforma.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) está entre os primeiros casos de uso. Segundo a instituição, a Diretoria de Comunicação e Marketing reduziu em 84% o tempo gasto em determinados processos após a adoção da tecnologia.
A demanda também aparece nos eventos promovidos pela empresa. Ferreira afirma que um webinar recente sobre os novos recursos registrou participação duas a três vezes maior do que a média de lançamentos anteriores.
Novos agentes já estão em desenvolvimento e devem chegar ao mercado ainda em 2026. A prioridade será criar soluções para áreas em que a empresa já possui base de conhecimento e dados suficientes para desenvolver automações especializadas.
A expectativa é que esses lançamentos, combinados à estratégia de venda cruzada dentro da base da Starian, sustentem a meta de dobrar o tamanho do Runrun.it até 2027.
Como nasceu a Starian
A Starian nasceu em 2025 a partir da reorganização das operações privadas da Softplan, empresa catarinense fundada há 34 anos por três amigos e conhecida por desenvolver softwares para setores como construção civil e gestão pública.
Ao longo de sua trajetória, a companhia criou plataformas como o Sienge, voltado para construtoras, e o SAJ, utilizado por tribunais de Justiça em diferentes estados do país.
Nos últimos anos, a empresa acelerou sua expansão no mercado corporativo por meio de aquisições e da construção de ecossistemas especializados.
O movimento impulsionou o crescimento da operação privada, que passou a concentrar mais da metade da receita do grupo.
Foi nesse contexto que surgiu a Starian, reunindo soluções voltadas para construção civil, inteligência legal, governança e compliance e eficiência operacional.
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