Startup brasileira capta R$ 30 milhões para criar IA que trabalha sozinha — e já vale R$ 500 milhões

Por Daniel Giussani 7 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Startup brasileira capta R$ 30 milhões para criar IA que trabalha sozinha — e já vale R$ 500 milhões

A startup brasileira Inner AI criou uma plataforma que reúne modelos como ChatGPT, Claude e Gemini em um só lugar e funciona como um copiloto para tarefas do dia a dia, de escrever textos a gerar apresentações. Agora, quer dar um passo além.

A startup acaba de levantar R$ 30 milhões em uma rodada seed, liderada pelos fundos de investimento Canary e OneVC, e avaliada em R$ 500 milhões.

O dinheiro será usado, principalmente, no lançamento de um novo produto, o Squad.com, que troca o modelo de copiloto por um “assistente de negócio”. Na prática, são agentes de inteligência artificial que respondem clientes no WhatsApp, criam campanhas de marketing e organizam o fluxo financeiro, sem depender de comandos constantes do usuário.

“O usuário não precisa mandar mensagem. Os assistentes vão te puxando e sugerindo o que fazer”, diz Pedro Salles, CEO da Inner AI.

A aposta acompanha uma mudança mais ampla no setor. Depois da popularização dos chats de IA, o mercado agora tenta avançar para sistemas mais autônomos. O problema é que, na prática, a tecnologia ainda depende de comando humano, e grande parte dos usuários não sabe como usar essas ferramentas no dia a dia.

É nesse ponto que a Inner quer se posicionar. Com mais de 1 milhão de usuários, a empresa mira pequenos empreendedores e aposta que simplificar o uso, e automatizar decisões, pode destravar a próxima onda de crescimento da inteligência artificial.

Como a Inner AI nasceu

O paulistano Pedro Salles, hoje com 26 anos, tem duas paixões: audiovisual e tecnologia. Programador de software desde os 10 anos, ele foi para os Estados Unidos depois que terminou o Ensino Médio. O objetivo? Estudar mais sobre as duas coisas que amava, programação e cinema. No meio do caminho, encontrou outro assunto que se encantou, a inteligência artificial.

“Desde então, vim pensando em como juntar esses dois mundos”, diz Salles. “Eu percebi que como programador, minha produtividade dobrou usando ferramentas de inteligência artificial. Me sentia um super herói. No audiovisual, ainda não tinha ganho de eficiência. Comecei a pensar como fazer os criadores de conteúdo também se sentirem super heróis”.

Foi quando começou a desenvolver a tecnologia para os robôs da inteligência artificial ajudarem a produzir conteúdos.

De volta ao Brasil, encontrou um sócio que já empreendia ensinando empresas a criarem cursos digitais. Passou a vender, também, para essas instituições de ensino a tecnologia que Pedro tinha desenvolvido.

Hoje, a Inner é uma plataforma que reúne, num único lugar, a possibilidade do usuário interagir com várias inteligências artificiais diferentes, pagando um único valor. Agora, com o novo aporte, a empresa tem novos planos, incluindo um agente de IA que faz as coisas por você.

Quais são os novos planos da empresa

O lançamento do Squad.com marca uma mudança no tipo de produto que a Inner quer construir. Em vez de uma ferramenta que responde comandos, a proposta é criar um sistema que executa tarefas sozinho.

O produto começa com três agentes principais. Um cuida do atendimento e vendas via WhatsApp, respondendo clientes, fazendo follow-up e organizando conversas. Outro é responsável pelo marketing, criando posts, respondendo comentários e sugerindo campanhas. O terceiro organiza o financeiro, gerando cobranças e ajudando a estruturar o fluxo de caixa.

A ideia é que eles funcionem de forma integrada. Um exemplo: o agente de marketing gera um lead, o de atendimento conversa com o cliente e o financeiro finaliza a cobrança — sem que o empreendedor precise coordenar cada etapa.

“O nosso maior desafio foi criar algo simples o suficiente para qualquer pessoa usar. Quando você entra, os agentes já começam a sugerir ações sem você precisar pedir”, diz Salles.

A aposta também vem de uma mudança estratégica. A empresa deixou de priorizar grandes contratos com empresas e passou a focar no usuário final. “A gente viu que tinha um potencial muito maior no consumidor do que no enterprise”, afirma.

Para tentar acelerar a adoção, a Inner também vai abrir uma loja física em São Paulo. No espaço, usuários poderão testar o produto e receber ajuda para configurar os agentes, um movimento incomum para uma startup de software.

Os desafios da aposta em agentes autônomos

A proposta da Inner esbarra em um problema que ainda não foi resolvido pelo setor: transformar autonomia em uso real.

Hoje, mesmo com o avanço das ferramentas, a maior parte das soluções de IA ainda depende de comandos claros do usuário. Isso limita o uso fora de perfis mais técnicos.

“As pessoas não sabem o que perguntar”, diz Salles.

Esse ponto é central para o modelo da empresa. Pequenos empreendedores, foco do Squad.com, costumam operar com pouco tempo e pouca margem para testar ferramentas novas. Se o produto exigir aprendizado, a adoção trava.

A Inner aposta que inverter a lógica — com a IA sugerindo ações em vez de esperar comandos — pode resolver esse problema. Mas isso traz outro risco: confiar decisões operacionais a um sistema automatizado. Além disso, a disputa é global. Grandes empresas de tecnologia e outras startups já investem no desenvolvimento de agentes autônomos, com mais capital e acesso a modelos próprios.

No fim, a tese da Inner depende de um ponto ainda em aberto no mercado: se usuários estão prontos para deixar a IA não só ajudar, mas agir.

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