Startup capta R$ 70 milhões para ampliar plataforma de bancários autônomos

Por Guilherme Gonçalves 8 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Startup capta R$ 70 milhões para ampliar plataforma de bancários autônomos

A fintech Franq, criada pelo gaúcho Paulo Silva, acaba de captar R$ 70 milhões em uma rodada Série B para acelerar a expansão de sua plataforma voltada a bancários autônomos. A rodada foi liderada pelos fundos Valor Capital Growth Fund, Quona Capital e Globo Ventures, investidores que já haviam participado da Série A da empresa.

Com o novo aporte, a companhia ultrapassa R$ 150 milhões captados desde sua fundação, em 2019. Os recursos serão usados principalmente para ampliar a oferta de produtos nas áreas de seguros, investimentos e soluções para empresas, além de reforçar iniciativas de inteligência artificial e treinamento dos profissionais que utilizam a plataforma.

A startup encerrou 2025 com R$ 2,4 bilhões em operações originadas e projeta chegar perto de R$ 4 bilhões neste ano, mantendo uma trajetória de crescimento próxima de 80% ao ano, segundo o fundador e CEO Paulo Silva.

“A gente acredita profundamente no potencial do bancário autônomo. Quem escolhe a Franq encontra liberdade para trabalhar com imparcialidade e acesso real às melhores soluções do mercado”, afirma Silva.

O que faz a Franq

A proposta da Franq é permitir que profissionais experientes do mercado financeiro atuem de forma independente, sem vínculo exclusivo com um banco. Na prática, a plataforma reúne mais de 150 produtos financeiros de mais de 50 bancos e fintechs parceiras em um único ambiente digital.

Entre os produtos disponíveis estão financiamentos imobiliários, empréstimos, consórcios, seguros e crédito com garantia de imóvel. O bancário utiliza a plataforma para comparar ofertas e recomendar soluções aos clientes de forma mais ampla.

Silva resume o modelo como uma mudança de lógica na relação entre gerente e cliente.

“O que a gente está possibilitando é que esse bancário possa ser não o gerente do banco, mas o gerente do cliente, servindo a ele com ofertas de vários bancos”, diz.

Hoje, segundo a empresa, mais de 10 mil bancários e assessores de investimentos já passaram pela plataforma. A exigência mínima é de cinco anos de experiência no setor bancário, e a média de idade dos profissionais cadastrados é de 42 anos.

Qual é a origem da ideia

A Franq nasceu após a saída de Paulo Silva do mercado financeiro tradicional. O executivo acumulou passagens por Banco do Brasil, Citi, HSBC e Santander, onde chegou a liderar operações comerciais e de varejo. Segundo ele, a ideia começou a ganhar forma em 2017, quando percebeu o avanço do fechamento de agências bancárias e o aumento do número de profissionais deixando os grandes bancos.

“Se um médico deixa um hospital, ele pode abrir um consultório. Se um advogado sai de um escritório, ele continua exercendo a profissão. O bancário sempre dependeu do banco para trabalhar”, afirma.

A partir dessa percepção, Silva passou cerca de dois anos estudando modelos internacionais de consultoria financeira independente até lançar a operação comercial da Franq, em outubro de 2019.

Embora a sede da companhia esteja em Florianópolis, os primeiros profissionais começaram a atuar em Porto Alegre. Poucos meses depois, a empresa enfrentou os impactos iniciais da pandemia de covid-19, justamente no início da expansão nacional.

Ainda assim, a startup conseguiu realizar suas primeiras rodadas institucionais de investimento durante o período.

IA, treinamento e expansão

Com cerca de 200 funcionários próprios, a Franq divide sua estrutura entre tecnologia, suporte aos profissionais da plataforma e áreas operacionais especializadas. Segundo Silva, uma parte relevante do novo aporte será destinada ao uso mais intensivo de inteligência artificial no atendimento aos clientes e na operação dos chamados “personal bankers”, nome usado pela empresa para os profissionais independentes.

A ideia é automatizar processos operacionais, como análise documental, triagem e acompanhamento de propostas, permitindo que os profissionais foquem mais na relação consultiva com os clientes.

“A IA vai assumir cada vez mais a camada operacional. Isso libera o personal banker para focar no que realmente gera valor, que é fortalecer o relacionamento com seus clientes”, afirma Gustavo Hartmann, CTO da Franq.

Além da tecnologia, a empresa pretende ampliar investimentos em treinamento e engajamento dos profissionais, incluindo a criação de hubs presenciais voltados à formação e capacitação.

Crescimento e mercado

A Franq está hoje entre os principais originadores de financiamento imobiliário e consórcios do país. Segundo Silva, o crescimento da base de profissionais e do volume de operações indica que o modelo já encontrou aderência no mercado.

“Quando você vê tanto bancário buscando isso e uma operação crescendo nesse ritmo, demonstra claramente que o consumidor começa a entender essa proposta”, afirma.

Apesar do avanço da operação, a empresa não divulga faturamento. O executivo afirma, porém, que a operação já atingiu break-even operacional e que segue priorizando investimentos para acelerar seu crescimento.

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