Startup de Stanford cria pulseira que monitora hormônios em tempo real
A startup Clair, fundada por ex-alunos de Stanford, está desenvolvendo um dispositivo vestível (wearable) para monitoramento de hormônios em tempo real. Pensada para o público feminino, a pulseira consegue medir variações de estrogênio e progesterona por meio de biossensores no pulso, sem necessidade de coleta de sangue ou perfuração do dedo. O lançamento está previsto para novembro.
Segundo a empresa, a ideia é acompanhar mulheres em diferentes fases da vida — da menarca à menopausa — e oferecer dados sobre saúde hormonal de maneira contínua, substituindo métodos hoje considerados caros, pontuais ou incômodos por um monitoramento passivo, integrado ao uso diário.
Como funciona?
O Clair combina 10 biossensores para captar sinais fisiológicos como temperatura da pele, frequência cardíaca em repouso, variabilidade da frequência cardíaca, frequência respiratória, atividade eletrodérmica, arquitetura do sono e movimento.
Esses dados são processados por modelos de inteligência artificial (IA) para estimar oscilações hormonais ao longo do ciclo menstrual. A empresa afirma que o sistema também é treinado para manter precisão em usuárias com ciclos irregulares e com síndrome dos ovários policísticos (SOP).
Entre os usos previstos do dispositivo estão:
O dispositivo se conecta a um aplicativo móvel, no qual ocorre todo o processamento dos dados. "O processamento acontece no próprio aplicativo, e não em um centro de dados como em outros dispositivos. Isso é especialmente importante considerando o atual debate sobre privacidade de dados", disse Abhinav Agarwal ao Stanford Daily.
Fundada por Jenny Duan e Abhinav Agarwal, a Clair afirma que o projeto responde a lacunas históricas na pesquisa em saúde feminina. Para Brindha Bavan, professora da Faculdade de Medicina de Stanford e orientadora da startup, o monitoramento oferecido pela pulseira pode ajudar em decisões clínicas e contribuir para o diagnóstico de condições, conforme declarou ao Stanford Daily.
A empresa planeja iniciar um ensaio clínico na Stanford Medicine e buscar aprovação do FDA, para posicionar o produto como dispositivo clinicamente comprovado, e não apenas como item de bem-estar. Hoje, a maioria dos wearables focados em saúde no mercado opera sem validação regulatória formal.
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