Super El Niño à vista? Planeta superaquecido eleva temor de efeitos climáticos extremos no Brasil

Por Sofia Schuck 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Super El Niño à vista? Planeta superaquecido eleva temor de efeitos climáticos extremos no Brasil

Quais as chances de um super El Niño em 2026? A ciência ainda considera cedo para afirmar que o fenômeno atingirá um nível excepcionalmente intenso ou que provocará uma crise global como o episódio histórico de 1998.

Mas uma preocupação já é unanimidade entre cientistas: desta vez, o El Niño causa um temor maior pois se desenvolve em um planeta mais quente e em oceanos já superaquecidos pelas mudanças climáticas.

E é justamente no Pacífico Equatorial que são observados alguns dos sinais mais relevantes, por meio de sistemas de monitoramento da temperatura da superfície do mar como boias, satélites e sensores.

Nos últimos dias, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status de alerta, ao apontar que há 82% de chance do El Niño surgir entre maio e julho de 2026, além de 96% de probabilidade de ele persistir até o inverno do hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Também neste mês de maio, a Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos EUA (NOAA) identificaram áreas do oceano com temperaturas até 6 °C acima da média histórica.

Segundo o cientista climático Paulo Artaxo, o aquecimento observado no Pacífico ajuda a explicar a apreensão crescente.

“Para uma área que é quase quatro vezes o Brasil, termos tanta água com temperatura acima da média é uma quantidade brutal de energia sendo dissipada na circulação planetária global”, destacou em entrevista à EXAME.

O El Niño ocorre quando as águas da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial ficam anormalmente mais quentes. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica padrões de chuva, temperatura e ventos em diferentes regiões do mundo.

Os impactos variam. Em geral, o fenômeno aumenta o risco de secas em partes da Ásia, Austrália e Amazônia, enquanto pode intensificar chuvas em áreas da América do Sul.

No Brasil, os efeitos normalmente aparecem de forma desigual: enquanto o Sul tende a enfrentar chuvas mais intensas e risco maior de enchentes, partes da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste podem registrar seca, calor extremo e condições mais favoráveis a incêndios florestais.

Os impactos atingem a produção agrícola, preços de alimentos e mercados de energia,[/grifar] o que coloca o fenômeno no centro do debate sobre risco climático e adaptação.

Para Artaxo, a principal questão é que o El Niño atua hoje sobre um sistema climático já alterado pelo aquecimento global.

“O fenômeno faz o clima sair da sua normalidade e ele está sendo agravado pela crise climática”, afirma.

No Brasil, cientistas acompanham especialmente o potencial devastador sobre extremos climáticos. O último El Niño forte coincidiu com a seca histórica da Amazônia, enchentes no Rio Grande do Sul e incêndios severos no Pantanal.

Embora ainda seja cedo para prever se 2026 repetirá eventos dessa magnitude, o país continua bastante vulnerável aos impactos climáticos.

“O Brasil não está preparado. Há muito a ser feito para proteger a população”, lembrou o cientista, reforçando a urgência da adaptação climática.

Segundo ele, as consequências podem atingir desde infraestrutura urbana até agricultura, segurança hídrica, energia e saúde pública. “Os potenciais impactos econômicos e sociais são gigantes”, conclui.

Recentemente, o Cemaden também alertou para um "desastre térmico" e a possibilidade de ondas de calor recordes no país em razão do El Niño.

Por que ainda não é possível cravar um “super El Niño”

Cientistas mundo afora fazem algumas ressalvas na hora de cravar um "super El Niño". Projeções feitas entre março e maio historicamente apresentam maior margem de erro, em um fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade da primavera”.

Além disso, os modelos ainda divergem sobre a intensidade final do aquecimento no Pacífico Equatorial.

Meteorologistas acompanham especialmente a chamada região Niño 3.4, principal faixa usada internacionalmente para medir a intensidade do El Niño.

Na última atualização semanal, a área registrou temperatura 0,4 °C acima da média histórica, ainda abaixo do patamar normalmente utilizado para oficializar o fenômeno.

Mesmo assim, parte dos modelos climáticos passou a indicar um cenário de aquecimento mais intenso nos próximos meses.

Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, mais da metade das projeções aponta temperaturas acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério nortee algumas simulações mais extremas sugerem aquecimento superior a 3 °C.

1/10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)

2/10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)

3/10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)

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5/10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)

6/10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)

7/10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)

8/10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)

9/10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)

10/10 Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)

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