Super Quarta, inflação e balanços no Brasil: o que move os mercados
A chamada "Super Quarta" concentra as atenções dos mercados nesta quarta-feira, 18, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos no centro do radar dos investidores.
Em um ambiente já pressionado pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela alta do petróleo, a combinação de política monetária e incerteza externa e doméstica deve guiar o comportamento dos ativos ao longo do dia.
Logo cedo, às 7h, a Zona do Euro divulga o índice de preços ao consumidor (CPI) de fevereiro, medido pela Eurostat, oferecendo sinais sobre a trajetória da inflação no bloco.
Mais tarde, às 9h30, sai o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics, um dado relevante para calibrar as expectativas sobre a inflação americana e, consequentemente, os próximos passos da política monetária.
No radar internacional, o grande destaque do dia é a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), às 15h. Na última reunião, em 28 de janeiro, o banco central americano interrompeu a sequência de cortes e manteve a taxa na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, decisão que já era amplamente esperada pelo mercado.
Agora, além do comunicado, os investidores também acompanham o Sumário de Projeções Econômicas (SEP) e, principalmente, a coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell, às 15h30.
Ainda no exterior, o Banco do Canadá também anuncia sua decisão de política monetária às 10h45, enquanto os dados semanais de estoques de petróleo nos EUA, divulgados pelo Departamento de Energia, ganham relevância adicional em meio às tensões no Oriente Médio.
No Brasil, as atenções se voltam para a decisão do Banco Central do Brasil, que será divulgada às 18h30, após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa Selic está em 15% ao ano desde maio de 2024, e a expectativa do mercado é de início de um ciclo de cortes. O cenário, no entanto, ficou mais incerto nas últimas semanas.
Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, predominava a expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual. Agora, com a alta do petróleo e o aumento das incertezas externas, cresce a avaliação de um movimento mais cauteloso, de 0,25 ponto — e parte dos analistas já considera até a possibilidade de manutenção da taxa.
Ao longo do dia, também serão divulgados o fluxo cambial semanal, pelo Banco Central, e dados setoriais do IBGE, como as pesquisas trimestrais do abate de animais, que ajudam a compor o cenário da atividade econômica doméstica.
No campo corporativo, a agenda de balanços no Brasil é intensa, com resultados de empresas como Marfrig, Minerva, PetroRecôncavo, Vivara, Gol Linhas Aéreas, Hapvida, CVC, Positivo Tecnologia e Méliuz, entre outras, o que pode gerar volatilidade adicional em ações específicas.
Irã e greve dos caminhoneiros no radar
No pano de fundo, a geopolítica segue pressionando os mercados. O conflito entre Estados Unidos e Irã entra na terceira semana, com uma nova ofensiva americana contra instalações de mísseis iranianos próximas ao Estreito de Ormuz.
A região permanece fechada desde 15 de março, impactando o fluxo global de petróleo e sustentando os preços da commodity em níveis elevados, fator que influencia diretamente as expectativas de inflação e juros no mundo.
Os mercados chegam a este pregão após uma sessão anterior de perda de fôlego. Na terça-feira, 17, o Ibovespa até ensaiou ganhos mais fortes, mas desacelerou e fechou com alta de 0,30%, aos 180.409 pontos. O dólar caiu 0,58%, a R$ 5,199, também reduzindo o ritmo ao longo do dia.
A cautela aumentou no fim do pregão após notícias sobre uma possível greve de caminhoneiros no Brasil, o que elevou a percepção de risco. A ameaça de paralisação trouxe preocupações sobre impactos na inflação, no câmbio e na curva de juros, justamente em um momento sensível para a condução da política monetária.
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