Supermicróbio? Cientistas descobrem organismo que resiste a -20°C na Antártida

Por Da Redação 22 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Supermicróbio? Cientistas descobrem organismo que resiste a -20°C na Antártida

Mesmo em temperaturas inferiores a -20°C, sem luz solar e praticamente sem nutrientes, microrganismos seguem ativos na Antártida ao utilizar gases do ar como fonte de energia. A descoberta, publicada na revista científica ISME, amplia o entendimento sobre os limites da vida na Terra e reforça o papel desses organismos nos ciclos climáticos globais.

Durante o inverno polar, a ausência de luz inviabiliza a fotossíntese, processo que sustenta a maior parte da vida no planeta.

No entanto, pesquisadores identificaram que micróbios presentes em solos da Antártida Oriental conseguem permanecer metabolicamente ativos ao explorar hidrogênio e monóxido de carbono em concentrações mínimas na atmosfera.

O mecanismo, chamado de aerotrofia, permite que esses organismos capturem energia diretamente do ar por meio de enzimas especializadas.

Experimentos realizados entre 2022 e 2024 confirmaram que a atividade metabólica ocorre durante todo o ano, inclusive no auge do inverno antártico.

Testes laboratoriais mostraram funcionamento dos micróbios na Antártida em temperaturas de 4°C e também em condições extremas de -20°C. Em alguns casos, os microrganismos demonstraram capacidade de metabolizar hidrogênio até mesmo a 75°C, evidenciando alta versatilidade adaptativa.

Análises genéticas indicam que a maioria dessas espécies possui genes específicos responsáveis pela captação e processamento de gases atmosféricos. Pela primeira vez, os cientistas comprovaram essa atividade diretamente no solo antártico, fora de ambientes controlados.

Impacto no clima e nos ecossistemas polares

Além do solo, pesquisas recentes identificaram intensa atividade microbiana no Oceano Antártico. Milhões de genes foram catalogados, sendo que mais de um terço ainda não consta em bancos de dados científicos.

Os microrganismos oceânicos exercem papel central no ciclo do carbono. Enquanto o plâncton fotossintético é responsável por cerca de metade da produção global de oxigênio e pela captura de dióxido de carbono, as bactérias determinam se esse carbono será reciclado na superfície ou armazenado nas profundezas marinhas.

Em regiões costeiras, como na frente da geleira Mertz, observou-se intensa decomposição de matéria orgânica durante florações de algas, com rápida reciclagem de nutrientes, um processo que faz parte do equilíbrio ecológico.

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