SXSW 2026: Na era da Inteligência Artificial, volto atrás da Inteligência Humana
Em 2025, fui ao SXSW pela primeira vez com uma missão muito clara: entender inteligência artificial. Voltei com outra certeza. O maior tema do SXSW não era tecnologia. Era gente.
Eu fui ver IA e encontrei inteligência emocional, inteligência social e inteligência de liderança. Voltei convencido de algo que repito nas minhas palestras, no Career Summit, nos encontros do Clube CHRO da Exame e nas empresas que acompanho como Advisor e Coach executivo:
O futuro não é sobre tecnologia que substitui pessoas. É sobre líderes que sabem usar tecnologia para libertar o potencial humano.
Agora, dia 12 de março de 2026, volto para Austin com outra pergunta: Como construir empresas modernas sem perder o humano?
A próxima fase da IA: menos hype, mais impacto real
Em 2025, a IA estava em todos os painéis. Em 2026, espero ver menos buzzword e mais aplicação.
IA já resolve: análise de dados, automação operacional, atendimento, criação de conteúdo, decisões táticas. Mas ainda não resolve: confiança, cultura, conflitos, propósito, liderança.
Na minha trajetória de 32 anos passando por Itaú, MasterCard, Dasa, Neon, Minerva Foods e tantas empresas que acompanho hoje, sempre vi a mesma coisa: tecnologia exponencial com cultura medieval.
O SXSW 2026 deve mostrar quem conseguiu unir as duas.
SXSW 2025: inovações tecnológicas e experiências imersivas transformam Austin em vitrine do futuro (Amy E. Price/SXSW/Divulgação)
Liderança Nada Artificial
Quanto mais a IA cresce, mais o líder precisa crescer. Porque quando a tecnologia resolve o que pode ser gerenciado, sobra para o líder aquilo que não pode ser automatizado: inspirar, decidir na ambiguidade, construir confiança, formar equipes de alta performance, desenvolver pessoas.
Na pesquisa que fiz com 97 CHROs para minha coluna na Exame, comunicação e feedback apareceram como os maiores gaps de liderança. Não é falta de tecnologia. É falta de autoliderança.
E é isso que quero ver no SXSW 2026: empresas que entenderam que cultura não é RH, é estratégia de negócio.
O humano como diferencial competitivo
No início dos anos 2000, o mercado passou a avaliar empresas não pelo passado, mas pela capacidade de gerar valor futuro. Apple, Amazon, Microsoft, Google entenderam isso cedo. Valor futuro vem de: inovação, reputação, capital social, capital humano, sustentabilidade.
E isso conecta com o conceito que defendo há anos: RH de Negócios. Quem tem plano estratégico é a empresa. O RH de Negócios cria iniciativas estratégicas para viabilizar esse plano. O SXSW 2026 deve mostrar quem entendeu que employee experience virou vantagem competitiva.
A visão de Franklin Costa da OCLB e a narrativa do Brasil
Conversei com Franklin, responsável pela curadoria da Casa São Paulo no SXSW e a visão dele é poderosa.
A narrativa deste ano se chama “Now Over Next”. Ou seja: o que fazemos agora importa mais que o futuro que prometemos.
Franklin me disse algo que deveria estar na parede de toda empresa brasileira: Se pelo menos um conteúdo tocar uma pessoa e fazê-la repensar um ponto de vista, já valeu.
Isso diz muito sobre inovação de verdade. Inovação não é trend. É mudança de mentalidade. Ele também trouxe um ponto que me tocou profundamente.
Segundo Franklin, a maior mudança de mentalidade que os líderes brasileiros podem trazer do SXSW 2026 é autoestima.
Este ano teremos mais brasileiros nos palcos, mais empreendedores na programação, lançamento de filme do Fernando Meirelles, documentário, obra em XR, recorde de indicações ao Oscar e a maior delegação brasileira da história do festival.
O mundo vai ao SXSW para se conectar. Mas o mundo também se conecta com o Brasil lá. Isso muda tudo.
O Brasil precisa de inovação com identidade
O maior risco do brasileiro no SXSW é voltar copiando. O maior valor é voltar traduzindo. Não precisamos virar Vale do Silício. Precisamos resolver os problemas do Brasil com a criatividade do Brasil.
Empresas brasileiras têm desafios únicos: desigualdade social, liderança despreparada, produtividade baixa, cultura organizacional frágil, saúde mental em crise.
O SXSW não resolve isso. Mas abre a cabeça. E cabeça aberta toma decisões melhores.
O que quero trazer para o Brasil
Voltarei do SXSW não com tendências. Volto com decisões.
Quero provocar executivos brasileiros com cinco perguntas:
O SXSW que realmente importa
O SXSW que importa não é o que você posta no Instagram. É o que você muda na sua empresa quando volta. Ano passado fui atrás de inteligência artificial. Volto agora atrás de inteligência humana. Porque no final do dia, quem constrói empresas não são algoritmos.
São líderes. E líderes precisam ser nada artificiais. Nos vemos em Austin. E depois, nas empresas brasileiras que vão liderar o futuro.
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