Takaichi indica defensores de juros baixos ao BC do Japão e iene cai
O iene recuou 0,54% frente ao dólar nesta quarta-feira, 25, sendo negociado a cerca de ¥ 156,70, após a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, indicar dois acadêmicos com perfil favorável a juros baixos para o conselho de política monetária do Banco do Japão (BoJ, em inglês).
A reação do mercado mostrou o receio de que o processo de alta dos juros no Japão perca força, em um movimento de crescente preocupação entre investidores sobre o impacto das decisões da nova liderança política sobre o rumo da economia no país, segundo fontes ouvidas pelo Financial Times (FT).
As indicações vieram após a vitória eleitoral de Takaichi, em reeleição no dia 8 de fevereiro, quando seu partido conquistou a supermaioria na Câmara Baixa do Parlamento. Analistas já consideravam as vagas no conselho do Banco Central como um teste inicial da postura da premiê.
Indicados defendem juros baixos
Os nomes escolhidos por Takeichi foram a professora da Universidade Aoyama Gakuin, Ayano Sato, e o professor da Universidade Chuo, Toichiro Asada. Ambos são conhecidos por defenderem políticas de estímulo econômico e taxas de juros mais baixas, de acordo com fontes consultadas pelo FT.
Isso pode representar um contraponto aos esforços atuais de normalização monetária conduzidos pelo BoJ, já que os dois indicados desafiariam a estratégia do governador Kazuo Ueda, que vem conduzindo um processo gradual de elevação das taxas após anos de política monetária expansionista.
Além disso, o enfraquecimento do iene já vinha sendo observado desde a eleição de Takaichi, refletindo preocupações sobre os planos fiscais da nova premiê e o possível impacto de maiores gastos públicos envolvendo a inflação e a política monetária, acrescentaram os especialistas ao FT.
Temor: corte na normalização dos juros
As fontes relatam, também, que o mercado vem reagindo negativamente não somente agora, mas depois dos relatos de que Takaichi teria expressado "reservas" quanto ao ciclo de alta dos juros em uma reunião com o governador Ueda, de acordo com dados coletados pelo FT.
Atualmente, os mercados de swap indicam uma probabilidade de cerca de 60% de que o BoJ eleve a taxa de juros de 0,75% para 1% em sua reunião prevista para abril. A continuidade desse processo no médio prazo, no entanto, agora está posta em dúvida.
Em discurso recente ao parlamento, Takaichi afirmou defender uma política fiscal que classificou como "responsável e proativa". Ainda assim, investidores permanecem cautelosos diante dos riscos e do processo inflacionário, que pode ultrapassar a meta atual de cerca de 2%.
A própria primeira-ministra já havia sinalizado, anteriormente, que considera uma inflação de 3% ou mais como desejável para fortalecer a economia japonesa, mostrando que sua visão diverge da abordagem mais cautelosa adotada pelo BoJ, segundo os estrategistas ouvidos pelo FT.
Mercado vê risco, mas impacto limitado
O economista para o Japão do UBS, Masamichi Adachi, relatou ao FT que as nomeações indicam que Takaichi não demonstrou grande preocupação com a reação negativa do mercado ou com o risco de interrupção do processo de normalização monetária.
"É assustador que ela pareça não se importar muito. Eu pensei que ela seria pragmática, mas parece que ela realmente acredita que uma inflação mais alta resolve muitos problemas", detalhou Adachi.
Outros analistas, por outro lado, avaliam que o impacto prático das indicações pode ser limitado. O embaixador global da Monex, Jesper Koll, afirmou ao FT que a substituição de membros do conselho por acadêmicos pode, indiretamente, fortalecer a influência do governador Ueda.
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