'Tão inteligente que chega a ser perigoso': Anthropic freia estreia de novo modelo de IA
A Anthropic começou a testar com clientes selecionados um novo modelo de inteligência artificial mais potente do que qualquer outro já lançado pela empresa, segundo informou a própria companhia após um vazamento de dados revelar a existência do sistema. O material exposto descreve o modelo como Claude Mythos e afirma que ele representa uma "mudança de patamar" em desempenho, com avanços em raciocínio, programação e cibersegurança.
Segundo o texto, o conteúdo ficou disponível em um repositório público e pesquisável, onde foram localizados rascunhos de publicação, imagens, PDFs e outros arquivos ligados ao blog da empresa. A Anthropic afirmou à Fortune que o problema decorreu de "erro humano" na configuração de seu sistema de gerenciamento de conteúdo, o CMS, software usado para publicar páginas e materiais em sites.
O rascunho também menciona o nome Capybara, descrito como uma nova categoria de modelo acima da linha Opus, hoje a mais poderosa no portfólio da companhia. No documento, a empresa diz que o novo sistema supera o Claude Opus 4.6 em testes de programação, raciocínio acadêmico e segurança cibernética, mas ressalta que ele ainda é caro de operar e não está pronto para liberação ampla.
A contradição central do episódio está no fato de a Anthropic defender uma liberação cautelosa por causa do potencial ofensivo do modelo, ao mesmo tempo em que deixou documentos sensíveis acessíveis em uma base pública. No texto vazado, a empresa afirma que o sistema está "muito à frente de qualquer outro modelo" em capacidades cibernéticas e que pode antecipar uma onda de ferramentas aptas a explorar vulnerabilidades em velocidade superior à das defesas digitais.
A estratégia de lançamento, segundo o rascunho, seria priorizar organizações voltadas à defesa cibernética, dando a elas uma vantagem inicial para reforçar códigos e infraestrutura antes de uma possível disseminação de ataques apoiados por IA. A Anthropic disse que trabalha com um grupo pequeno de clientes de acesso antecipado e que tem sido deliberada na forma de disponibilizar o modelo.
Vazamento também expôs encontro de CEOs na Europa
Além do material sobre o novo modelo, o conjunto de arquivos acessíveis incluía informações sobre um retiro reservado para presidentes-executivos de empresas europeias no Reino Unido. O evento, descrito como um encontro íntimo de dois dias em uma mansão histórica adaptada como hotel e spa, teria a presença do CEO da Anthropic, Dario Amodei, e de outros líderes empresariais influentes, embora os nomes não tenham sido listados no documento.
De acordo com o texto, os convidados ouviriam parlamentares e formuladores de políticas públicas sobre adoção de IA por empresas e teriam contato com capacidades ainda não lançadas do Claude. A Anthropic afirmou que o encontro integra uma série de eventos promovidos ao longo do último ano para discutir o futuro da IA com líderes de negócios europeus.
O caso amplia a pressão sobre empresas de IA que tentam vender ferramentas a grandes clientes corporativos enquanto precisam demonstrar controle sobre segurança, governança e risco reputacional. No episódio da Anthropic, o vazamento não apenas antecipou um possível anúncio de produto, como também revelou o esforço comercial da empresa para aproximar sua tecnologia de executivos e grandes companhias em um momento de disputa mais intensa nesse mercado.
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