No 18º dia da guerra, EUA envia navio de assalto anfíbio com fuzileiros de elite ao Oriente Médio

Por Mateus Omena 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
No 18º dia da guerra, EUA envia navio de assalto anfíbio com fuzileiros de elite ao Oriente Médio

Um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos, responsável pelo transporte de milhares de fuzileiros navais e tripulantes, segue em deslocamento rumo ao Oriente Médio e, nesta terça-feira, se aproximava do Estreito de Malaca, nas imediações de Singapura, de acordo com dados de rastreamento marítimo.

A embarcação de assalto anfíbio USS Tripoli foi localizada nas proximidades de Singapura, na porção sudoeste do Mar do Sul da China, segundo informações do sistema AIS divulgadas pela rede americana de notícias CNN.

Embora navios militares dos EUA costumem operar com os transponders desligados, a ativação do sistema em áreas com tráfego intenso, como as águas ao redor de Singapura, é utilizada para reforçar a segurança da navegação.

De acordo com três autoridades envolvidas no planejamento, o USS Tripoli leva a bordo tropas da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros (MEU), sediada em Okinawa, no Japão. A unidade reúne cerca de 2.200 militares e foi mobilizada pelo Pentágono como força de resposta rápida. Não há, até o momento, detalhes divulgados sobre o destino final ou a missão.

Uma MEU é estruturada em quatro eixos: comando, combate terrestre, combate aéreo e logística. Essas unidades costumam atuar em operações como evacuações e ações anfíbias, incluindo incursões e assaltos partindo do mar, além de contarem com efetivos treinados para operações especiais.

Informações do site Marinetraffic.com apontaram a trajetória de um “navio de guerra americano não especificado” desde Okinawa, em 11 de março, cruzando o Mar do Sul da China e se aproximando de Singapura a uma velocidade estimada de 35 km/h.

Com cerca de 260 metros de comprimento e deslocamento próximo de 45 mil toneladas, o USS Tripoli opera como um porta-aviões de menor porte. A embarcação é equipada com caças furtivos F-35, aeronaves de transporte MV-22 Osprey e meios de desembarque aptos a conduzir tropas diretamente até a costa.

O navio integra um grupo anfíbio de prontidão, que geralmente inclui os navios de transporte USS New Orleans e USS San Diego. Ainda assim, dados públicos de rastreamento não confirmaram se essas embarcações acompanham o Tripoli nesta operação.

Cobrança de apoio internacional

Nesta segunda-feira, 16, Donald Trump voltou a pedir apoio internacional para a reabertura do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

Em discurso na Casa Branca, ele direcionou o apelo a países europeus e asiáticos, especialmente o Japão e a China. Segundo Trump, algumas nações já indicaram disposição para colaborar, enquanto outras demonstraram menor interesse na iniciativa.

"Encorajamos veementemente outras nações cujas economias dependem muito mais dessa passagem do que a nossa. Obtemos menos de 1% do nosso petróleo pelo Estreito", disse Trump. "China, países europeus e Coreia do Sul: Alguns países obtêm muito mais. O Japão obtém 95%, a China 90%, muitos europeus obtêm uma quantidade considerável. A Coreia do Sul obtém 35%, então queremos que eles venham nos ajudar com o Estreito."

Trump defendeu que esses países participem do policiamento da região após a resposta do Irã a ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel. Segundo autoridades americanas, Teerã utilizou drones, mísseis e minas navais, o que levou ao fechamento do canal para navios petroleiros que normalmente atravessam a passagem — rota responsável por transportar cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.

"Alguns [países] estão muito entusiasmados com isso, e outros não. Alguns são países que ajudamos por muitos e muitos anos. Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não estavam tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo importa para mim", disse Trump no evento na Casa Branca.

Nesta terça-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que seu país não participará das operações para abrir o Estreito de Ormuz "no contexto atual", mesmo após pressão feita por Donald Trump.

"Não somos parte do conflito (da guerra no Irã) e, portanto, a França nunca participará de operações para abrir ou liberar o Estreito de Ormuz no contexto atual", declarou Macron após reunião do Conselho de Segurança francês.

Nesta segunda-feira, o Irã negou ter solicitado um cessar-fogo aos Estados Unidos, o que havia sido mencionado por Trump durante o fim de semana.

Apesar da negativa, o ministro das Relações Exteriores iraniano indicou a possibilidade de permitir a circulação limitada de embarcações no Estreito de Ormuz. Segundo o chanceler Abbas Araqchi, citado pela agência SNN, o bloqueio estaria direcionado apenas a "inimigos e aqueles que apoiam sua agressão".

No domingo, 15, os Estados Unidos bombardearam a ilha de Kharg, ponto considerado estratégico para o escoamento de petróleo iraniano e central para a economia do país.

Ataques do Hezbollah

O grupo xiita libanês Hezbollah lançou nesta terça-feira, 17, dezenas de foguetes e drones contra várias zonas de Israel, segundo informaram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) que respondeu com ataques aéreos contra posições do movimento no Líbano.

De acordo com um comunicado militar, os projéteis foram lançados nos últimos minutos contra diversos pontos do norte do país, o que acionou os sistemas de defesa aérea israelenses para tentar interceptá-los.

Segundo a Agência EFE na região da Galileia, perto da fronteira com o Líbano, as explosões causadas pelas interceptações do sistema antimísseis de Israel começaram a soar antes que os alarmes antiaéreos fossem acionados.

Nas áreas próximas à fronteira norte, os moradores não dispõem de sistemas de alerta antecipado e, em muitos casos, têm apenas cerca de 30 segundos, ou menos, para chegar aos abrigos após a ativação das sirenes.

Simultaneamente, segundo comunicado divulgado pelas IDF, a Força Aérea israelense começou a bombardear lançadores de foguetes e outras infraestruturas do grupo “em todo o Líbano”, em uma operação “destinada a conter os ataques e reduzir a capacidade ofensiva do Hezbollah”.

Segundo o canal israelense "Keshet 12", esta última ofensiva foi composta por pelo menos 40 projéteis.

Após a mobilização de mais reservistas no norte e incursões terrestres no sul do Líbano, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou na segunda-feira o início de uma operação terrestre no sul do Líbano, de escala ainda desconhecida, argumentando a necessidade de destruir a infraestrutura do Hezbollah.

Após duas semanas de bombardeios israelenses constantes contra o sul, o leste e até mesmo a capital, Beirute, o número de mortos no Líbano chega a cerca de 900 pessoas e há mais de 2.140 feridos, segundo o Centro de Operações de Emergência do Líbano, vinculado ao Ministério da Saúde Pública.

*Com informações das agências EFE e AFP.

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