Tecido dourado usado por imperadores é recriado após séculos

Por Vanessa Loiola 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Tecido dourado usado por imperadores é recriado após séculos

Um dos tecidos mais raros e misteriosos da Antiguidade voltou a chamar a atenção da ciência. Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang (POSTECH), na Coreia do Sul, conseguiram recriar a lendária seda do mar, uma fibra dourada que já foi considerada um dos materiais de luxo mais valiosos do mundo.

Além de reproduzir o tecido, a equipe descobriu o mecanismo responsável por seu brilho característico e pela capacidade de manter a cor por séculos sem desbotar. Os resultados foram publicados na revista Advanced Materials.

O que é a seda do mar?

Conhecida como "fibra dourada do mar", a seda do mar era produzida a partir do bisso, conjunto de filamentos usados por determinados moluscos para se fixarem em superfícies rochosas.

Historicamente, o material era obtido da espécie Pinna nobilis, um grande molusco do Mediterrâneo. Sua combinação de brilho dourado, leveza e resistência transformou a fibra em um dos tecidos mais exclusivos do mundo antigo.

Ao longo dos séculos, a seda do mar ganhou fama quase lendária. Um dos exemplos mais conhecidos é o Santo Rosto de Manoppello, relíquia religiosa preservada na Itália e frequentemente associada a esse material.

Como os cientistas recriaram o tecido

A produção tradicional praticamente desapareceu após o declínio populacional da Pinna nobilis, hoje considerada uma espécie ameaçada. A coleta do animal foi proibida pela União Europeia, tornando a seda do mar autêntica extremamente rara.

Para contornar o problema, os pesquisadores buscaram uma alternativa em outro molusco: a Atrina pectinata, espécie cultivada comercialmente nas águas costeiras da Coreia do Sul.

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O segredo do brilho dourado

Além de reproduzir a fibra, os pesquisadores identificaram o mecanismo responsável por sua coloração característica.

Diferentemente da maioria dos tecidos, a seda do mar não depende de pigmentos ou corantes para adquirir sua tonalidade dourada. A cor é produzida por um fenômeno conhecido como coloração estrutural.

Nesse processo, estruturas microscópicas presentes na fibra interagem com a luz e geram reflexos brilhantes. Os cientistas identificaram pequenas estruturas proteicas organizadas em camadas, chamadas de fotoninas, como responsáveis pelo efeito.

O princípio é semelhante ao observado em bolhas de sabão, asas de borboletas e penas de algumas aves, cujas cores surgem da forma como a luz é refletida e não da presença de pigmentos.

Por que a cor dura tanto tempo?

Segundo os pesquisadores, a organização dessas proteínas dentro da fibra explica a extraordinária durabilidade da cor. Como o tom dourado faz parte da própria estrutura do material, e não de um revestimento externo, ele pode permanecer preservado por períodos muito longos sem sofrer desbotamento significativo.

Essa característica ajuda a explicar por que peças históricas associadas à seda do mar conseguiram manter sua aparência mesmo após séculos.

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