'Temos que ter cautela com a sinistralidade em 2026', diz CEO da Bradsaúde
A Bradsaúde estreou com lucro bilionário no primeiro trimestre de 2026, mas com um alerta sobre a sinistralidade. Mesmo após uma melhora no início do ano, a companhia afirma que o comportamento desse índice "exige cautela" ao longo de 2026.
A sinistralidade é o termômetro central das operadoras de saúde porque mede quanto da receita é consumido pelos custos assistenciais, como consultas, exames e internações. Na prática, esse indicador define o quanto sobra de margem.
De acordo com relatório do banco Safra, a Bradesco Saúde apresentou forte desempenho, com a taxa de sinistralidade odontológica (MLR) caindo 140 pontos-base em relação ao ano anterior. A queda da sinistralidade impacta numa redução do peso dos custos sobre a receita, o que ajuda a explicar o crescimento de 33,5% no lucro do Bradesco Saúde em relação ao ano anterior, para R$ 1,22 bilhão.
Já a Odontoprev, antiga unidade de negócios, apresentou um trimestre mais fraco, segundo o Safra, visto que uma redução significativa no índice de sinistralidade odontológica (DLR) foi mais do que compensada por um aumento acentuado nas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), resultando em uma queda de 9% no lucro líquido em relação ao ano anterior.
No caso da Bradsaúde, de R$ 13,278 bilhões em receitas no trimestre (ou R$ 13,191 bilhões em prêmios ganhos), R$ 10,414 bilhões foram destinados a eventos indenizáveis, linha diretamente ligada ao indicador.
Cautela com a sinistralidade
A queda da sinistralidade indica que a companhia gastou menos com atendimento em relação à receita, o principal motor de expansão de margem no setor, mas a própria empresa alerta que esse movimento pode ser temporário.
Durante coletiva nesta terça-feira, 5, o CEO Carlos Marinelli indicou que a melhora da sinistralidade no período não deve ser lida como tendência. "Temos que ter muita cautela com a sinistralidade em 2026", afirmou.
Segundo o executivo, o início do ano concentra fatores sazonais que reduzem a utilização dos planos, como férias e o Carnaval, além do adiamento de procedimentos médicos. Há ainda um efeito técnico, já que parte dos sinistros ocorridos em dezembro não entra integralmente na conta do primeiro trimestre, o que melhora temporariamente o indicador.
Ao mesmo tempo, o movimento mais recente do mercado aponta na direção oposta. Marinelli destacou que, no segundo semestre de 2025, houve aumento na frequência de uso dos planos e no custo médio por atendimento, duas variáveis que pressionam diretamente a sinistralidade. "vemos esse movimento de mercado, o que os leva a ter muita cautela", disse.
Mesmo com esse pano de fundo, os resultados vieram fortes. A Bradsaúde registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,3 bilhão no trimestre e resultado operacional de R$ 2,121 bilhões. O resultado das operações, antes de despesas administrativas e tributos, somou R$ 3,109 bilhões.
A companhia também mantém uma posição de liquidez robusta, com R$ 28,573 bilhões em ativos financeiros, sem indicação de alavancagem líquida relevante.
O que explica a queda no lucro líquido da Odontoprev
No braço odontológico, a Odontoprev teve lucro líquido de R$ 150,6 milhões no trimestre, queda de 9,6% na comparação anual.
Segundo o diretor de Relações com Investidores, José Roberto Pacheco, o recuo foi provocado por efeitos não recorrentes. Entre eles, despesas com assessores financeiros e jurídicos ligados à estruturação da Bradsaúde e a redução da receita financeira após o pagamento de cerca de R$ 410 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio em dezembro de 2025.
"Todos lembram, ali no mês de dezembro nós tivemos um pagamento expressivo de dividendos e juros sobre capital próprio. Então o menor estoque de caixa agora do primeiro trimestre gerou uma receita financeira inferior ao que nós tivemos no primeiro trimestre do ano passado. E houve também esse evento pontual e específico relacionado à Bradsaúde na sua assessoria financeira e jurídica. Essas foram as razões básicas", afirmou Pacheco.
A operação odontológica gerou R$ 191,4 milhões em caixa operacional no trimestre, com fluxo de caixa livre de aproximadamente R$ 176 milhões, e encerrou o período com caixa líquido de R$ 887 milhões.
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