Teremos competição na Régis Bittencourt, diz diretor-geral da ANTT sobre leilao de R$ 7 bi
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, afirmou que o leilão da Régis Bittencourt, marcado para 23 de julho, deverá ter competição entre investidores, apesar do cenário de incertezas econômicas e geopolíticas internacionais.
Em entrevista ao EXAME Infra durante a Bienal de Rodovias, promovida pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Sampaio disse que a expectativa da agência é repetir o ambiente competitivo registrado nos certames realizados neste ano.
"Agora temos a Régis, já marcada para o dia 23 de julho. É uma otimização contratual que também vai ter competição. Vai ser um ativo muito importante para São Paulo e para a ligação com o Sul do país", afirmou.
O edital prevê R$ 7,2 bilhões em obras de ampliação e melhorias operacionais dos 383 quilômetros. O vencedor do certame operará a rodovia até 2041.
Segundo Sampaio, o interesse dos investidores reflete a evolução do modelo brasileiro de concessões. Para ele, a combinação de projetos mais estruturados, contratos mais resilientes e uma matriz de riscos mais equilibrada tem aumentado a confiança dos operadores nacionais e estrangeiros.
"O investidor vai buscar onde tem bons projetos e retorno. E ele acredita que o Brasil é um cumpridor de contratos", afirmou.
Diretor-geral da ANTT: Sampaio destaca bom momento de concessões rodoviais
O diretor citou como exemplo os últimos leilões promovidos pela agência, que registraram novos entrantes e disputas em viva-voz. Entre eles, mencionou a Rota das Gerais e a Rota dos Sertões, esta última com um consórcio formado pela Odebrecht e pela Mota-Engil.
"Independentemente de todos os momentos internacionais e nacionais, vai ter leilão, vai ter competição e gente de fora vindo também", disse o diretor-geral da ANTT.
Essa será a segunda repactuação leiloada pelo governo federal nos últimos meses. Em dezembro de 2025, o leilão da Fernão Dias, então operada pela Arteris, teve três concorrentes. A Motiva venceu a disputa.
Dois editais devem sair nos próximos meses
Além da Régis Bittencourt, Sampaio afirmou que a ANTT prepara uma sequência de novos leilões ao longo dos próximos meses.
Segundo ele, a agência está em fase final para publicar o edital da otimização da Via Brasil, concessionária da BR-163 entre Mato Grosso e Pará, e aguarda decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) para avançar com a Rota do Pequi, na BR-060, entre Goiás e o Distrito Federal.
O diretor também citou a BR-262, a BR-116 e a Rota Agro Central, na BR-364 entre Mato Grosso e Rondônia, como projetos em desenvolvimento.
"A carteira está muito aquecida, com mais de R$ 100 bilhões em investimentos. Independentemente do cenário internacional e nacional, vai ter leilão, vai ter competição e gente de fora vindo também", afirmou.
Como será o leilão da Régis Bittencourt
O processo competitivo para transferência do controle da concessionária Autopista Régis Bittencourt, responsável pela operação da BR-116 entre São Paulo e Paraná, prevê a alienação de 100% das ações da empresa em lote único.
Além do desconto tarifário, os participantes deverão pagar um valor fixo de R$ 120 milhões pela aquisição da concessionária. Caso as propostas apresentem valores próximos, o edital prevê uma etapa adicional de lances em viva-voz.
O modelo também estabelece aportes financeiros obrigatórios que aumentam conforme o percentual de desconto ofertado, podendo superar R$ 140 milhões por ponto percentual adicional nas faixas mais elevadas de deságio.
Para participar da disputa, as empresas deverão apresentar garantia de proposta de R$ 79,25 milhões. O edital permite a participação de grupos brasileiros e estrangeiros, individualmente ou em consórcio.
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