Ticketmaster demite 8% do total de funcionários

Por Luiz Anversa 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ticketmaster demite 8% do total de funcionários

Cerca de 350 funcionários foram demitidos da Ticketmaster nesta quarta-feira, numa reestruturação que atingiu equipes de engenharia, produto e design em 25 países. O corte representa aproximadamente 8% do total de empregados da empresa no mundo. Prestadores de serviço também foram desligados no processo.

Ao site Pollstar, o presidente global da Ticketmaster, Saumil Mehta, afirmou que o objetivo das demissões é reforçar a priorização interna, especialmente nas áreas de engenharia, produto e design. Segundo ele, a medida envolve a redução de níveis hierárquicos, a consolidação de responsabilidades, a reorganização das equipes e um direcionamento maior de recursos para iniciativas consideradas estratégicas. Em nota enviada à EXAME, a empresa informou que "nenhum funcionário na América do Sul foi afetado pelas demissões".

Questionado sobre o momento da decisão, Mehta classificou a reestruturação como um movimento para o futuro, e não como uma avaliação do desempenho passado da empresa. De acordo com o executivo, os resultados recentes refletem períodos anteriores, enquanto os cortes fazem parte de um esforço para preparar a companhia para os próximos relatórios de resultados, em horizontes de 12, 18 e 24 meses. Ele ressaltou ainda que a equipe executiva da Ticketmaster permanece inalterada.

Balanço da Live Nation

O anúncio ocorreu um dia após a divulgação do balanço do primeiro trimestre da Live Nation, controladora da Ticketmaster. O relatório mostrou que a receita total da Live Nation alcançou US$ 3,8 bilhões, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Dentro desse resultado, a Ticketmaster registrou receita de US$ 765 milhões, crescimento de 10%, enquanto o número de ingressos com cobrança de taxas processados até o fim de abril chegou a 138 milhões, avanço de 9%.

Antes de assumir o cargo na Ticketmaster, Mehta supervisionou áreas de produto e negócios em plataformas como Cash App, Afterpay e TIDAL.

Segundo o Yahoo Finance, as demissões ocorrem em meio a um cenário de forte pressão jurídica sobre a Live Nation. Em abril, um júri federal concluiu que a Live Nation e a Ticketmaster monopolizaram ilegalmente os mercados de venda de ingressos e de anfiteatros nos Estados Unidos. A decisão representou uma vitória para uma coalizão formada por 33 estados e pelo Distrito de Colúmbia, que deu continuidade ao processo após um acordo do Departamento de Justiça durante o julgamento. Os estados buscam indenizações de até US$ 700 milhões, e alguns defendem que a Live Nation seja obrigada a vender a Ticketmaster. A empresa informou que pretende recorrer.

Em um processo separado, a Live Nation concordou em pagar US$ 9,9 milhões para encerrar uma investigação conduzida por Washington, D.C., relacionada a práticas consideradas enganosas na precificação de ingressos. O inquérito apontou que, por pelo menos uma década, a companhia divulgou preços artificialmente baixos e só revelou taxas obrigatórias na etapa final da compra. Um encargo de US$ 450 milhões, registrado no primeiro trimestre para cobrir o acordo federal e a continuidade das disputas com procuradores-gerais estaduais, levou a Live Nation a registrar um prejuízo operacional de US$ 371 milhões no período.

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