Toky, dona da Mobly e Tok&Stok, pede recuperação judicial

Por Clara Assunção 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Toky, dona da Mobly e Tok&Stok, pede recuperação judicial

O Grupo Toky, dono das redes Mobly e Tok&Stok, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira, 12, em meio ao agravamento de sua crise financeira. A decisão foi aprovada em caráter de urgência pelo conselho de administração da companhia em reunião realizada na segunda-feira, 11.

Segundo fato relevante divulgado ao mercado na manhã desta terça, o pedido envolve a companhia e suas subsidiárias e foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça.

No documento, a empresa afirma que enfrenta um "ambiente macroeconômico desafiador para o setor de varejo de móveis e decoração, carcterizado por juros elevados, maior endividamento das famílias e condições de crédito mais restritivas".

"[Esse ambiente macroeconômico] têm resultado em menor confiança do consumidor e postergação de decisões de compra, impactando o desempenho de vendas, que segue abaixo do potencial", afimrou a administração.

A empresa também informou que restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando impacto significativo sobre a liquidez de curto prazo do grupo.

Ainda segundo o comunicado, a administração vinha negociando uma reestruturação do endividamento da controlada Tok&Stok junto a credores, mas afirmou que o alto nível de endividamento "persiste e vem se agravando", o que levou à necessidade de medidas adicionais para preservar as operações e reorganizar a estrutura financeira da companhia.

"Nesse contexto, o Pedido de Recuperação Judicial tem por objetivo resguardar a Companhia e as suas controladas, viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social, bem como criar condições para a negociação e implementação de solução adequada para suas obrigações, no interesse da Companhia e controladas, de seus credores, trabalhadores, acionistas e demais stakeholders", afirmou o grupo no fato relevante.

A companhia informou ainda que, conforme previsto na Lei das Sociedades por Ações, o pedido de recuperação judicial será submetido à ratificação de uma Assembleia Geral Extraordinária, cuja convocação já foi aprovada pelo conselho de administração.

Venda de ações

Na véspera do pedido de recuperação judicial, o grupo já havia comunicado ao mercado uma movimentação relevante em sua estrutura societária.

Em comunicado divulgado na segunda, 11, a empresa informou ter recebido correspondência de fundos geridos pela SPX Private Equity Gestão de Recursos informando que estão em estágio avançado de negociações para vender a totalidade de suas participações em ações ordinárias e bônus de subscrição emitidos pela companhia.

Os fundos envolvidos são o FS Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, TS Coinvestimento Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Fundo Brasil de Internacionalização de Empresas FIP Multiestratégia e DFS Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Responsabilidade Limitada.

Em razão dessa movimentação, o então conselheiro Fernando Porfirio Borges apresentou renúncia ao cargo no conselho de administração da companhia, segundo informou o grupo ao mercado.

A cada mês, mais de 100 empresas entram em recuperação judicial no Brasil

A combinação de juros elevados, maior seletividade na concessão de crédito e demanda desigual entre setores tem pressionado o caixa das empresas. O resultado é que o número de negócios sob recuperação judicial atingiu um recorde no ano passado.

Como mostrou a EXAME, com base em um estudo da Serasa Experain, 2.466 CNPJs entraram em recuperação judicial, o maior da série histórica iniciada em 2012, de acordo com a última edição do "Indicador de Falências e Recuperações Judiciais" divulgado em abril.

Ao longo de 2025, o volume de empresas em recuperação judicial permaneceu consistentemente acima da média histórica, que gira em torno de 106 CNPJs por mês. O recorde foi em outubro do ano passado, quando 345 empresas entraram em recuperação judicial, seguido por março quando 273 CNPJs estiveram nessa situação, frente a 249 em abril.

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