Transformação da casa onde Hitler nasceu em delegacia divide cidade na Áustria

Por Da redação, com agências 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Transformação da casa onde Hitler nasceu em delegacia divide cidade na Áustria

A decisão de transformar a casa onde Adolf Hitler nasceu em uma delegacia de polícia provocou reações divergentes em Braunau am Inn, cidade austríaca próxima à fronteira com a Alemanha.

O imóvel, localizado no centro da cidade, deve abrigar uma unidade policial a partir do segundo trimestre de 2026, segundo o Ministério do Interior.

O governo austríaco afirma que a medida busca “neutralizar” o local. Em 2016, foi aprovada uma lei que permitiu ao Estado assumir o controle do prédio, até então de propriedade privada e em estado de deterioração.

Em frente ao imóvel há uma pedra com a inscrição: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam”.

Nesta semana, jornalistas da AFP registraram operários concluindo os trabalhos na fachada reformada.

A iniciativa, no entanto, divide opiniões. Para parte dos moradores, a delegacia pode evitar que o endereço se torne ponto de encontro de extremistas de direita. Outros avaliam que o prédio poderia ter recebido destinação diferente.

Sibylle Treiblmaier, de 53 anos, classificou o projeto como “uma faca de dois gumes”. Já Jasmin Stadler, comerciante de 34 anos, defendeu que o local fosse inserido em um “contexto histórico”, com mais informações sobre o imóvel. Ela também criticou o custo da reforma, estimado em 20 milhões de euros.

Para Ludwig Laher, membro do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa vítimas do Holocausto, a escolha por uma delegacia é “problemática”, ao argumentar que a polícia é obrigada, em qualquer sistema político, a proteger o que o Estado determina.

Wolfgang Leithner, engenheiro eletricista de 57 anos, afirmou que a nova função pode trazer “tranquilidade” à região e reduzir o risco de peregrinação de grupos de extrema direita.

Memória histórica e contexto político

O debate sobre o destino do imóvel ocorre em um país que enfrenta críticas históricas por não reconhecer plenamente sua responsabilidade no Holocausto. Durante o regime nazista, cerca de 65 mil judeus austríacos foram assassinados e aproximadamente 130 mil foram forçados ao exílio.

No ano passado, duas ruas de Braunau am Inn que homenageavam figuras associadas ao nazismo foram renomeadas após pressão de grupos ativistas.

O tema ressurge em meio ao avanço do Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita e fundado por ex-nazistas, que lidera pesquisas de opinião e, em 2024, obteve o maior número de votos nas eleições legislativas, mas não formou governo.

Com informações da AFP.

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